A cena é impactante — e resume o desespero de milhões de cristãos na Nigéria. Em meio a vilas destruídas, ataques jihadistas e massacres que raramente ganham espaço na mídia internacional, padres passaram a celebrar missas com armas em punho. A missão, antes espiritual, agora inclui um instinto básico: sobreviver.
Desde 2017, fotos e vídeos de sacerdotes com fuzis ao lado do altar circulam nas redes sociais e na imprensa local. Muitos deles atuam em regiões dominadas por grupos extremistas, como o Boko Haram e facções ligadas ao Estado Islâmico. Nessas áreas, a violência é rotina — e a fé, um ato de resistência.
A Nigéria e a perseguição esquecida
Hoje, o país é considerado um dos lugares mais perigosos do mundo para quem professa o cristianismo. Relatórios internacionais relatam milhares de assassinatos nos últimos anos, além de igrejas queimadas, sequestros e deslocamentos forçados. O silêncio da comunidade internacional torna o sofrimento ainda mais cruel.
Sem proteção do Estado, líderes religiosos decidiram reagir. Não por desejo de conflito, mas por necessidade. Em muitas aldeias, o padre é também o único ponto de referência — espiritual, moral e, agora, de segurança.
Missa sob ameaça
Nas regiões mais atingidas, o culto dominical só acontece porque voluntários e fiéis se revezam em vigílias armadas. Padres que antes carregavam apenas a Bíblia, hoje levam também um rifle nas costas. Não por escolha, mas por sobrevivência.
Há relatos de sacerdotes que, além de guiar espiritualmente suas comunidades, atuam como enfermeiros, educadores e protetores. Em alguns vilarejos, sem essa presença armada, a paróquia deixaria de existir.


