O advogado Rafael Nunes, atual chefe de gabinete da Presidência da Câmara de Vereadores e comentarista do programa Band Cidade, da Band FM 99.1, analisou os desdobramentos do caso Banco Master e a crise envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Durante sua participação, Nunes apresentou uma leitura política sobre o episódio e relacionou o momento vivido pela Corte ao cenário eleitoral de 2026.
Ao comentar as informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e encaminhadas ao STF no âmbito das investigações, Rafael Nunes afirmou entender que o ministro Alexandre de Moraes teria sido favorecido por integrantes ligados ao banco.
A declaração, porém, integra a análise pessoal feita pelo advogado durante o programa. Até o momento, não há decisão judicial que tenha reconhecido como fato comprovado uma atuação ilícita de Alexandre de Moraes relacionada ao Banco Master.
O próprio STF informou que a Petição 16.662 tem origem em relatório da Polícia Federal produzido a partir de informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro e que o material aponta supostos diálogos relacionados a Alexandre de Moraes. O mérito das imputações ainda não foi analisado pelo Plenário.
Crítica à atuação de André Mendonça
Durante o comentário, Rafael Nunes também criticou a atuação do ministro André Mendonça, relator de procedimentos relacionados ao caso Master. Na avaliação do advogado, a divulgação de informações do material investigativo teria produzido efeitos políticos favoráveis à candidatura de Flávio Bolsonaro.
Nunes afirmou que, em sua interpretação, a atuação de Mendonça teria contribuído para colocar o episódio no centro do debate eleitoral.
O comentário ocorreu em meio a uma disputa institucional que ganhou força dentro do próprio STF. Em setembro, o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, determinou o sobrestamento do trâmite da Petição 16.662 até nova deliberação. Posteriormente, o Plenário iniciou a análise de uma questão de ordem relacionada ao caso, mas o ministro Flávio Dino pediu vista, suspendendo a discussão.
Pesquisa eleitoral entra na análise
Rafael Nunes também relacionou a repercussão do caso à pesquisa Quaest divulgada em setembro.
Segundo o levantamento, em uma simulação de segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, o senador aparece numericamente à frente, com 42%, contra 40% do presidente. A diferença, entretanto, está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, o que caracteriza empate técnico.
A pesquisa ouviu 2.004 eleitores entre os dias 10 e 13 de setembro e foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-03607/2026.
No primeiro turno, o levantamento apresenta Lula com 36% e Flávio Bolsonaro com 31%.
Ao citar esses números, Rafael Nunes sustentou que o episódio envolvendo o STF e o Banco Master pode ter impacto no ambiente eleitoral. Essa relação, contudo, é uma interpretação apresentada pelo comentarista e não uma conclusão estabelecida pela pesquisa sobre a causa da movimentação eleitoral.
Banco Master envolve diferentes personagens políticos
Outro ponto destacado por Rafael Nunes foi a necessidade de analisar o caso Banco Master para além da disputa entre grupos políticos.
O advogado citou, durante o programa, nomes como Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, Jaques Wagner e ACM Neto ao comentar relações e recursos que aparecem no contexto das investigações e discussões públicas envolvendo o banco.
A investigação relacionada ao Banco Master também alcançou o entorno de Flávio e Eduardo Bolsonaro. Segundo a Reuters, uma transação de US$ 12 milhões envolvendo Daniel Vorcaro e um fundo ligado a Eduardo Bolsonaro está no centro de uma investigação sobre possível corrupção e lavagem de dinheiro. Flávio e Eduardo negam irregularidades.
No caso de Jaques Wagner, o senador já se manifestou publicamente sobre as acusações que relacionam o Banco Master aos governos do PT na Bahia. Em pronunciamento no Senado, Wagner apresentou sua versão sobre o histórico da instituição e contestou as acusações que buscavam associá-lo diretamente às irregularidades investigadas.
“O banco Master não tem partido”, afirma Rafael Nunes
Um dos principais pontos do comentário de Rafael Nunes foi justamente a defesa de que as investigações não deveriam ser analisadas exclusivamente pelo viés da disputa entre direita e esquerda.
Segundo o advogado, o caso envolve diferentes personagens e não deveria ser transformado em uma investigação direcionada exclusivamente contra um determinado grupo político.
A Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes envolvendo o Banco Master, segue produzindo desdobramentos judiciais. Em junho, por exemplo, a Segunda Turma do STF confirmou prisões preventivas do pai e do primo de Daniel Vorcaro, medidas determinadas por André Mendonça no curso das investigações.
Crise institucional chega ao debate eleitoral
Para Rafael Nunes, a crise envolvendo o Banco Master, Alexandre de Moraes, André Mendonça e outros integrantes do STF ultrapassou os limites de uma disputa jurídica e passou a ocupar espaço no debate eleitoral.
O advogado também afirmou que o ambiente político em torno do STF poderia ter reflexos sobre a campanha presidencial.
A atual conjuntura, de fato, colocou o caso Master no centro do noticiário político. O STF informou que a análise da Petição 16.662 envolve relatório da Polícia Federal baseado em mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, mas ressaltou que o mérito das imputações ainda não foi examinado pelo Plenário.
Dessa forma, as afirmações feitas por Rafael Nunes durante o Band Cidade devem ser compreendidas como uma análise e opinião do advogado sobre os acontecimentos. As eventuais responsabilidades dos envolvidos permanecem submetidas às investigações e aos procedimentos judiciais em andamento.





