As novas revelações envolvendo Anthony Fauci, uma das figuras mais importantes da resposta dos Estados Unidos à pandemia de Covid-19, reacenderam um debate que a médica baiana Raíssa Soares nunca teve medo de enfrentar: afinal, tudo o que foi dito e determinado durante a pandemia estava realmente baseado em ciência, transparência e interesse público?
Em entrevista concedida à Rádio Conquista FM, durante conversa com o comunicador Robson, Raíssa voltou a falar sobre as controvérsias da pandemia e avaliou as recentes revelações envolvendo documentos, e-mails e registros relacionados à atuação de Fauci.
Para a médica, o material divulgado nos Estados Unidos reforça a necessidade de revisar decisões tomadas durante um dos períodos mais difíceis da história recente.
E, olhando para trás, Raíssa sustenta que muitos dos questionamentos que fez durante a pandemia, quando enfrentava forte pressão e críticas, precisam agora ser novamente discutidos pela sociedade.

Raíssa: uma voz que não se calou
Durante a pandemia, Raíssa Soares escolheu um caminho diferente.
Enquanto grande parte das autoridades, veículos de comunicação e instituições repetia as mesmas orientações, a médica levantava questionamentos, defendia a autonomia dos profissionais de saúde e pedia que diferentes alternativas fossem discutidas.
Foi uma posição que lhe trouxe enorme exposição, mas também muitos ataques.
Na entrevista à Rádio Conquista FM, Raíssa fez questão de reconhecer o papel de profissionais da imprensa que lhe deram espaço naquele período.
Ao ser lembrada pelo entrevistador de que havia sido uma das poucas vozes que encontraram espaço para apresentar seus argumentos, ela agradeceu publicamente.
“Eu preciso reconhecer isso aqui, inclusive de público, agradecer porque você foi uma dessas vozes”, afirmou.
A declaração mostra como a médica enxerga aquele período: um momento em que, segundo ela, havia pouco espaço para opiniões divergentes.
O diário de Fauci volta a colocar a pandemia sob os holofotes
O centro da nova discussão é Anthony Fauci.
Durante décadas, ele ocupou posições estratégicas na estrutura de saúde pública dos Estados Unidos e se tornou uma das principais referências americanas durante a Covid-19.
Agora, documentos relacionados à sua atuação estão sendo divulgados por parlamentares americanos que investigam a resposta à pandemia, a origem do vírus, pesquisas envolvendo coronavírus e as decisões tomadas nos bastidores.
Entre o material divulgado estão e-mails, mensagens e um extenso conjunto de anotações pessoais de Fauci.
Na entrevista à Rádio Conquista FM, Raíssa explicou que esses documentos são importantes porque permitem conhecer discussões internas que ocorreram durante aquele período.
Segundo ela, o material precisa ser analisado para que a sociedade possa compreender melhor como determinadas decisões foram tomadas.
“Nós não temos a imprensa clássica pedindo desculpa”
Um dos momentos mais contundentes da entrevista aconteceu quando Raíssa falou sobre o comportamento das instituições brasileiras.
“Nós não temos a imprensa clássica pedindo desculpa para a sociedade brasileira”, afirmou.
A médica questionou por que, diante das novas informações que vêm surgindo nos Estados Unidos, não existe no Brasil uma mobilização semelhante para investigar quem participou da elaboração das recomendações adotadas durante a crise sanitária.
Raíssa também cobrou uma postura mais firme das sociedades médicas e do Congresso Nacional.
“Nós não temos o Congresso brasileiro, deputados e senadores querendo saber quem são os Anthony Faucis do Brasil”, declarou durante a entrevista.
A frase resume uma das principais cobranças feitas pela médica: o Brasil também precisa olhar para dentro e investigar quem teve influência sobre as decisões tomadas durante a pandemia.
Quem eram os “Faucis” brasileiros?
Essa é uma das perguntas mais fortes levantadas por Raíssa.
Durante a pandemia, determinadas autoridades e especialistas passaram a ocupar enorme espaço na imprensa e a influenciar diretamente o comportamento da população.
Suas recomendações tiveram consequências concretas.
Definiam o que poderia ou não ser feito, quais medidas deveriam ser adotadas e como determinados pacientes deveriam ser conduzidos.
Para Raíssa, essas pessoas precisam ser identificadas e suas decisões precisam ser analisadas.
Quem recomendou determinada conduta?
Qual era a evidência disponível naquele momento?
Havia conflitos de interesse?
Existiam vínculos com empresas farmacêuticas?
As sociedades médicas divulgaram adequadamente esses possíveis conflitos?
As recomendações foram revistas quando surgiram novas evidências?
São perguntas que, para a médica, continuam sem respostas satisfatórias.
Conflitos de interesse também precisam ser investigados
Outro ponto levantado por Raíssa na Rádio Conquista FM envolve os vínculos entre pesquisadores, sociedades médicas e a indústria farmacêutica.
Ela afirmou que, durante a pandemia, alertava para a existência de profissionais ligados a pesquisas e projetos financiados por grandes empresas do setor.
Raíssa citou empresas como Pfizer, Janssen e AstraZeneca.
Na visão da médica, o ponto central é a transparência.
A população precisa saber quem financia pesquisas, quais vínculos existem e quais mecanismos de transparência são utilizados.
Para ela, a pandemia deixou uma enorme crise de confiança justamente porque muitas dessas questões não foram suficientemente discutidas.
“Em quem eu confio?”
Um dos trechos mais fortes da entrevista ocorre quando Raíssa fala sobre credibilidade.
Segundo ela, a pandemia deixou uma pergunta que continua atual:
“Em quem eu confio? Essa pessoa está falando a verdade ou não?”
Para a médica, essa crise de confiança não pode simplesmente ser ignorada.
Quando a população deixa de confiar em médicos, pesquisadores, imprensa e autoridades, o problema ultrapassa uma simples disputa política.
A confiança na ciência também é afetada.
Por isso, Raíssa defende que não se deve ter medo de investigar.
Se uma decisão foi correta, uma investigação séria deve ser capaz de demonstrar isso.
Se houve erro, o erro precisa ser reconhecido.
Se houve conflito de interesse, ele precisa ser esclarecido.
Raíssa cobra uma revisão da pandemia no Brasil
Durante a entrevista à Rádio Conquista FM, a médica também relembrou algumas recomendações que, em sua avaliação, precisam ser revisitadas.
Ela citou orientações sobre tratamento, hospitalização e intubação de pacientes com Covid-19.
Raíssa argumenta que médicos que apresentavam posições diferentes foram frequentemente desconsiderados e que o debate científico acabou ficando limitado.
Para ela, as novas informações vindas dos Estados Unidos representam uma oportunidade para reabrir essa discussão.
Não se trata, segundo a médica, de simplesmente escolher um lado.
Trata-se de permitir que documentos, estudos e decisões sejam novamente examinados.
O perdão concedido a Fauci também voltou ao debate
Outro episódio mencionado na discussão é o perdão concedido a Anthony Fauci pelo então presidente Joe Biden.
O perdão foi assinado em 19 de janeiro de 2025, último dia da presidência de Biden, e abrangia possíveis crimes federais relacionados à atuação de Fauci desde 1º de janeiro de 2014.
O documento oficial da Presidência americana confirma o período abrangido pelo perdão.
Embora um perdão presidencial não represente, por si só, uma condenação ou prova de crime, a decisão provocou forte reação política e ampliou os questionamentos sobre a atuação de Fauci.
É nesse ambiente que os documentos divulgados agora ganham ainda mais importância.
A defesa de Raíssa é por investigação
No fundo, a posição apresentada por Raíssa Soares na Rádio Conquista FM é direta: investigar.
Investigar documentos.
Investigar decisões.
Investigar conflitos de interesse.
Investigar as relações entre instituições e empresas.
Investigar quem formulou as recomendações.
Investigar por que determinados médicos foram ouvidos enquanto outros foram ignorados.
E, principalmente, permitir que a sociedade conheça todos os lados da história.
Raíssa não pede que as pessoas simplesmente acreditem nela.
Ela pede que as perguntas sejam feitas.
Que os documentos sejam analisados.
Que especialistas diferentes tenham espaço.
Que as autoridades sejam cobradas.
E que a imprensa também seja capaz de reconhecer eventuais erros.
Uma médica que decidiu não recuar
A trajetória de Raíssa durante a pandemia ajuda a entender por que o assunto continua tão presente em seus discursos.
Ela se tornou uma das vozes mais conhecidas entre os profissionais que questionaram determinadas orientações adotadas durante a crise sanitária.
Naquele momento, suas posições provocaram forte reação.
Agora, com novas investigações e documentos vindo à tona nos Estados Unidos, Raíssa entende que chegou o momento de revisitar muitas das discussões que ficaram para trás.
Em sua participação na Rádio Conquista FM, a médica deixou claro que não pretende abandonar essa pauta.
Para ela, o Brasil não pode simplesmente virar a página sem buscar respostas.
A pandemia acabou, mas as perguntas continuam
A pandemia ficou para trás, mas a discussão sobre suas decisões está longe de terminar.
Os documentos relacionados a Fauci reacenderam debates que pareciam encerrados e deram novo combustível a quem, como Raíssa Soares, sempre defendeu que determinadas decisões fossem questionadas.
A médica baiana acredita que o Brasil também precisa fazer sua própria revisão.
Quem tomou as decisões?
Quais informações estavam disponíveis?
Quais interesses estavam envolvidos?
Havia conflitos de interesse?
Por que algumas vozes receberam espaço enquanto outras foram desacreditadas?
São perguntas que continuam pertinentes.
E Raíssa Soares, em entrevista à Rádio Conquista FM, voltou a colocá-las sobre a mesa.
Mais do que defender uma posição, a médica defende que a sociedade tenha acesso às informações e que as instituições tenham coragem para investigar.
Porque, para Raíssa, questionar não é negar a ciência. Perguntar não é ser contra a medicina. E investigar não deveria ser motivo para silenciar ninguém.





