O advogado Willer Tomaz rebateu as declarações do atacante Richarlison sobre a disputa por uma ilha em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Tomaz contestou os documentos apresentados pelo jogador e afirmou que eles não comprovam a compra legal da propriedade nem o pagamento dos R$ 10 milhões alegados pelo atleta.
A resposta ocorreu após Richarlison publicar uma gravação na qual afirma ter provas da aquisição do imóvel. No entanto, segundo Tomaz, os próprios documentos apresentados pelo jogador indicam uma negociação com pessoas que não detinham a titularidade registrada da área.
Além disso, o advogado questiona a origem dos direitos negociados e sustenta que os registros oficiais favorecem a empresa ligada a ele. Dessa forma, a disputa continua envolvendo versões opostas sobre a propriedade e os valores pagos.
Willer Tomaz questiona documentos apresentados por Richarlison
Durante a gravação, Tomaz afirma que os contratos apresentados por Richarlison mostram que os vendedores se declaravam possuidores do imóvel. Entretanto, essa condição, por si só, não comprova a propriedade legal da área.
Para reforçar seu argumento, o advogado cita documentos judiciais nos quais, segundo sua interpretação, aparecem questionamentos sobre a origem dos direitos negociados pela empresa ligada ao jogador.
Além disso, Tomaz contesta a alegação de que Richarlison investiu R$ 10 milhões na compra da ilha. Segundo ele, os documentos mencionados na disputa indicariam pagamentos a terceiros, mas não comprovariam a transferência desse valor à empresa que reivindica a titularidade registrada.
“Você comprou a ilha de invasores”, afirmou Tomaz no vídeo. Com essa declaração, o advogado rebateu diretamente a versão apresentada pelo atacante.
Advogado afirma possuir escritura e registro na SPU
Outro ponto central da resposta envolve a documentação apresentada por Willer Tomaz. Segundo o advogado, sua empresa, a WT Administração de Imóveis e Bens S.A., possui escritura pública registrada em cartório e certidão da Secretaria do Patrimônio da União (SPU).
De acordo com Tomaz, esses documentos sustentam a titularidade reivindicada pela empresa. Por outro lado, ele afirma que os papéis apresentados por Richarlison não demonstram que a União tenha reconhecido os direitos alegados pelo jogador.
Nesse contexto, a diferença entre posse e propriedade tornou-se um dos principais pontos da controvérsia. Embora uma pessoa possa exercer a posse de um imóvel, isso não significa, automaticamente, que ela tenha o direito de transferir a propriedade legal a terceiros.
Assim, para Tomaz, os documentos apresentados pelo atacante não comprovam que a negociação tenha transferido validamente os direitos sobre a ilha.
Disputa judicial chegou ao STJ
Além dos documentos imobiliários, Willer Tomaz utiliza o histórico judicial para contestar as alegações do jogador.
A disputa passou pela Justiça do Rio de Janeiro e chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Nesse processo, a empresa Sport 70, ligada ao ex-empresário de Richarlison, Renato Velasco, participou da controvérsia sobre os direitos relacionados ao imóvel.
Segundo Tomaz, a empresa enfrentou decisões desfavoráveis e, posteriormente, desistiu da ação em 2025. Por isso, o advogado afirma que o histórico judicial enfraquece a reivindicação apresentada pelo jogador.
Entretanto, é importante distinguir a situação processual da empresa das alegações pessoais de Richarlison. A desistência de uma ação não comprova, isoladamente, todas as afirmações feitas por qualquer uma das partes sobre a negociação.
Tomaz também declarou que a Polícia Federal investigou o caso e que a investigação foi arquivada por falta de indícios de crime. Essa informação deve ser considerada conforme os registros oficiais do procedimento.
Advogado cobra comprovantes dos R$ 10 milhões
Em outro trecho do vídeo, Tomaz desafia Richarlison a apresentar documentos que comprovem a aquisição legal da ilha e os pagamentos alegados.
Entre os documentos que o advogado considera necessários estão uma escritura pública, um contrato de compra e venda válido ou um registro na SPU que demonstre o vínculo do jogador com a propriedade.
Além disso, Tomaz questiona os valores mencionados pelo atacante e afirma que os documentos divulgados não comprovam o pagamento dos R$ 10 milhões à empresa que reivindica a titularidade do imóvel.
O advogado também sustenta que, caso Richarlison tenha sofrido prejuízo financeiro, o jogador deveria cobrar os valores de quem efetivamente recebeu o dinheiro.
Dessa maneira, Tomaz procura deslocar o foco da discussão: em vez de responsabilizar sua empresa, ele argumenta que Richarlison deve buscar reparação contra os envolvidos na negociação original.
Mensagem a Flávio Bolsonaro amplia repercussão política
A controvérsia também ganhou dimensão política após Richarlison divulgar uma mensagem que afirma ter enviado ao senador Flávio Bolsonaro em 5 de abril de 2026.
Na conversa, o jogador menciona o ano eleitoral e cobra uma solução para recuperar o dinheiro investido. Além disso, demonstra preocupação com a possibilidade de terceiros explorarem politicamente o caso.
Tomaz, por sua vez, afirma que Flávio Bolsonaro nunca comprou, vendeu ou intermediou a ilha. Segundo essa versão, o senador não participou da negociação imobiliária.
Portanto, a mensagem divulgada pelo atacante comprova, no máximo, que ele afirma ter procurado o senador para tratar do assunto. Por si só, ela não demonstra participação de Flávio na compra ou venda da propriedade.
Ainda assim, a referência ao período eleitoral ampliou a repercussão pública da disputa, que passou a envolver também o debate político de 2026.
Justiça negou pedido para impedir publicações
A disputa entre Richarlison e Willer Tomaz também chegou à Justiça por causa das publicações nas redes sociais.
Em agosto de 2026, a Justiça negou um pedido de urgência apresentado pelo advogado para impedir novas publicações do jogador sobre o caso. Na decisão, o magistrado apontou o risco de restrição prévia à liberdade de expressão.
No entanto, a negativa da medida de urgência não representa, necessariamente, uma decisão definitiva sobre todas as acusações ou sobre a titularidade da ilha. O processo pode seguir seus trâmites judiciais.
Disputa continua sem consenso entre as partes
Em síntese, Richarlison afirma ter comprado a propriedade e busca recuperar o dinheiro que diz ter investido. Willer Tomaz, por outro lado, contesta essa versão e sustenta que os documentos apresentados pelo jogador não comprovam a aquisição legal da ilha.
Além disso, o advogado aponta registros imobiliários, pagamentos a terceiros e decisões judiciais para defender sua posição. Já a alegação de investimento de R$ 10 milhões depende da comprovação documental dos valores e de sua destinação.
Portanto, o ponto central da controvérsia continua sendo a validade dos direitos negociados, a identificação dos destinatários dos pagamentos e o alcance dos registros oficiais.
Enquanto as partes mantêm versões divergentes, a análise dos documentos e das decisões judiciais permanece essencial para esclarecer a disputa.





