A sessão ordinária da Câmara Municipal de Vitória da Conquista, realizada nesta terça-feira, 9 de setembro, foi marcada por um intenso debate entre os vereadores a respeito do Supremo Tribunal Federal (STF), do ministro Alexandre de Moraes e de questões relacionadas ao cenário político nacional.
Durante os pronunciamentos, parlamentares de diferentes posições políticas apresentaram avaliações distintas sobre a atuação do STF e sobre a trajetória de Alexandre de Moraes. O tema provocou críticas, defesa do ministro e troca de acusações políticas entre os vereadores.
Nelson de Vivi faz críticas ao STF e cita Alexandre de Moraes
O vereador Nelson de Vivi adotou um tom crítico ao comentar a situação do Supremo Tribunal Federal. Em seu pronunciamento, afirmou que a mais alta Corte do país estaria passando por um momento de descrédito.
“A mais alta corte do país derreteu em lama, em corrupção, em coisa mal feita.”
Na sequência, Nelson de Vivi voltou a mencionar o ministro Alexandre de Moraes. Segundo o vereador, ele já havia levado ao plenário, anteriormente, informações divulgadas pela imprensa sobre uma suposta relação profissional de Moraes com um advogado ligado ao PCC.
O parlamentar fez questão de afirmar que, em seu entendimento, não havia apresentado a informação como uma afirmação pessoal, mas relatado aquilo que teria sido divulgado por veículos de comunicação.
Nelson também relacionou o assunto a investigações envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, mencionando gravações e relatórios atribuídos à Polícia Federal. Durante sua fala, entretanto, o vereador fez afirmações categóricas sobre os envolvidos.
Ricardo Gordo rebate Nelson e leva discussão para a política baiana
Em resposta, o vereador Ricardo Gordo ironizou o pronunciamento de Nelson de Vivi.
“Não sei se tem espaço pra descer o disco voador. O cara Nelson tá em outro planeta.”
Ricardo também citou Daniel Vorcaro e afirmou que Nelson deveria ter cuidado ao abordar o assunto. Em seguida, levou o debate para o cenário eleitoral da Bahia, questionando o colega sobre seu posicionamento para a disputa ao Governo do Estado.
O vereador ainda comentou uma decisão relacionada à Polícia Federal e parabenizou o ministro Flávio Dino, do STF.
“Eu quero parabenizar esta manhã o ministro Flávio Dino, o ministro do STF.”
Ricardo afirmou que uma decisão tomada naquele momento teria alterado uma determinação anterior e permitido o retorno do chefe da Polícia Federal.
Ao final, voltou a provocar Nelson de Vivi, relacionando o posicionamento do colega a pesquisas eleitorais para o Governo da Bahia.
Subtenente Muniz critica atuação do STF
O vereador Subtenente Muniz também direcionou fortes críticas ao Supremo Tribunal Federal.
Em seu discurso, classificou a situação da Corte como uma “vergonha” e utilizou expressões duras para descrever o funcionamento do tribunal.
“A gente não tem mais nem o que falar, que é uma vergonha. É uma casa de mãe Joana, uma casa de Noca, uma bagunça.”
Muniz também criticou uma decisão que, segundo ele, teria derrubado uma decisão colegiada da Segunda Turma do STF. O vereador afirmou ainda que haveria uma movimentação política por trás das decisões e fez críticas ao que classificou como uma possível “ditadura”.
“Nós sabemos o que que eles estão preparando com a ditadura deles.”
As declarações foram feitas no contexto do debate político nacional que tomou conta do plenário durante a sessão.
Xandó defende que eventuais irregularidades não são responsabilidade da esquerda
Na sequência, o vereador Alexandre Xandó apresentou uma abordagem diferente sobre Alexandre de Moraes.
Xandó lembrou que Moraes ocupou cargos em governos identificados com a direita antes de chegar ao Supremo Tribunal Federal. Ele citou a passagem do ministro pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo e pelo Ministério da Justiça durante o governo Michel Temer.
O vereador destacou que Alexandre de Moraes foi indicado ao STF por Temer e, a partir disso, argumentou que eventuais problemas envolvendo o ministro não deveriam ser automaticamente associados à esquerda.
“Se Alexandre de Moraes deve alguma coisa, isso não tem nada a ver com a esquerda.”
Xandó acrescentou que, caso existam irregularidades, elas deveriam ser apuradas independentemente do posicionamento político do envolvido.
“E ainda que tivesse, ele tinha que pagar da mesma forma.”
O pronunciamento trouxe para o debate uma perspectiva diferente da apresentada anteriormente por Nelson de Vivi, Subtenente Muniz e Ricardo Gordo.
Ricardo Babão também entra no debate
O vereador Ricardo Babão retomou a discussão sobre o STF e o cenário político brasileiro. Ao comentar a fala de Xandó, afirmou que aqueles que acompanharam o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff teriam uma determinada interpretação sobre os acontecimentos políticos daquele período.
O vereador também fez referências às eleições presidenciais e a episódios envolvendo políticos brasileiros.
Em outro momento, Ricardo Babão voltou a direcionar a discussão para a responsabilidade da direita pela indicação de Alexandre de Moraes ao STF.
“Quem colocou Xandão lá, agora pague o preço. Foi vocês da direita, a extrema direita.”
A declaração provocou nova reação política no plenário e reforçou o tom de confronto entre os parlamentares.
Sessão foi marcada por polarização política
O trecho da sessão evidencia a forte polarização política entre os vereadores de Vitória da Conquista. O debate começou a partir de críticas ao STF e a Alexandre de Moraes, mas rapidamente avançou para temas como eleições, governos anteriores, impeachment de Dilma Rousseff, indicação de ministros do Supremo e investigações envolvendo empresários.
De um lado, vereadores fizeram críticas contundentes ao STF e questionaram decisões e integrantes da Corte. De outro, Xandó e Ricardo Babão destacaram a trajetória política de Alexandre de Moraes e argumentaram que eventuais irregularidades deveriam ser atribuídas aos responsáveis, independentemente de ideologia.
As falas reproduzidas nesta matéria correspondem aos pronunciamentos dos vereadores no trecho da sessão disponibilizado, e as acusações e alegações mencionadas pelos parlamentares são apresentadas como declarações feitas no plenário, não como fatos comprovados pela reportagem.
O debate mostra como questões da política nacional continuam repercutindo diretamente no Legislativo municipal e provocando embates entre diferentes correntes políticas dentro da Câmara de Vitória da Conquista.





