Candidato a deputado estadual e marido da prefeita Sheila Lemos afirmou, durante evento político, que pretende responder aos ataques com apoio dos eleitores de Vitória da Conquista e do Sudoeste
O candidato a deputado estadual Wagner Alves (União Brasil) adotou um tom de enfrentamento ao comentar o cenário político envolvendo sua candidatura durante um evento realizado em Vitória da Conquista. Marido da prefeita Sheila Lemos, Wagner afirmou que tem enfrentado “covardia”, “ataque” e “mentira” ao longo da campanha e disse acreditar que a resposta será dada nas urnas.
Durante o discurso, o candidato defendeu que Vitória da Conquista precisa ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa da Bahia, mas argumentou que a representação política deve estar acompanhada de disposição para enfrentar adversários e defender os interesses do município e da região.
“Conquista precisa dessa cadeira, mas precisa de uma voz com coragem. Não basta ter a cadeira. Precisa ter um deputado com coragem”, declarou Wagner.
Na sequência, o candidato relacionou a necessidade de coragem ao ambiente que, segundo ele, vem enfrentando desde o início da disputa eleitoral.
“Para enfrentar o que eu estou enfrentando agora nessa candidatura de deputado estadual: a covardia, o ataque, a mentira”, afirmou.
Wagner também declarou confiança no resultado da eleição e atribuiu à fé e ao apoio popular a expectativa de superar as dificuldades da campanha.
“Nós vamos vencer isso tudo. A fé em Deus que nós temos e, com o apoio do nosso povo de Conquista, da região Sudoeste, nós vamos mostrar no dia quatro de outubro que tudo isso que eles estão fazendo não vai surtir efeito”, disse.
Candidatura entrou no centro das disputas políticas de Conquista
A candidatura de Wagner Alves passou a ocupar espaço central no cenário político de Vitória da Conquista desde que foi lançada pela prefeita Sheila Lemos. O movimento também alterou a disputa interna por votos entre nomes ligados ao campo político de oposição ao governo estadual.
Em janeiro, o deputado estadual Tiago Correia afirmou que o lançamento da candidatura de Wagner afetaria sua votação em Vitória da Conquista, município onde possui base política. A declaração evidenciou uma das primeiras disputas provocadas pela entrada do marido da prefeita na corrida por uma vaga na Assembleia Legislativa.
Ao longo de 2026, Wagner também ampliou sua agenda política para outros municípios do Sudoeste, apresentando a candidatura como um projeto de representação regional.
A candidatura foi posteriormente oficializada pelo União Brasil durante a convenção estadual realizada em julho. Wagner aparece como candidato a deputado estadual pela Bahia, com situação de candidatura deferida pela Justiça Eleitoral.
Questionamentos sobre possível uso da estrutura da Prefeitura
Um dos principais episódios envolvendo a candidatura ocorreu após acusações de suposto uso da estrutura da Prefeitura de Vitória da Conquista em benefício eleitoral de Wagner.
Reportagem publicada por A TARDE em setembro apresentou denúncias segundo as quais a prefeita Sheila Lemos estaria utilizando a estrutura municipal para promover a candidatura do marido. As acusações foram apresentadas como denúncias recebidas pelo veículo e não como fatos definitivamente reconhecidos pela Justiça.
No campo judicial, entretanto, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia negou uma liminar em representação que questionava suposto abuso de poder político e econômico envolvendo Sheila Lemos e Wagner Alves. Segundo o Bahia Notícias, a decisão tratou do pedido liminar e não representa, por si só, um julgamento definitivo sobre todas as acusações apresentadas na representação.
Acusação sobre suposta troca de cirurgias por votos
Outro episódio recente aumentou a pressão sobre a candidatura.
Em 9 de setembro, a vereadora Lara Fernandes acusou publicamente Wagner Alves de supostamente oferecer cirurgias e atendimentos médicos em troca de votos e apoio político durante sessão da Câmara Municipal de Vitória da Conquista.
Wagner negou a acusação e afirmou que pretende adotar medidas judiciais. Até a publicação da reportagem que registrou o episódio, não haviam sido apresentados publicamente documentos ou outras provas que comprovassem a suposta oferta de procedimentos em troca de votos.
O episódio ajuda a explicar o ambiente de confronto mencionado pelo próprio candidato em seu discurso. Ao falar sobre “ataques” e “mentiras”, Wagner não detalhou, na fala reproduzida no evento, quais episódios específicos estaria classificando dessa maneira.
Disputa chega à reta final
Com a aproximação do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, Wagner Alves busca consolidar sua candidatura em Vitória da Conquista e ampliar a presença política no Sudoeste.
A disputa também envolve diferentes projetos dentro do campo político que apoia ACM Neto, candidato ao Governo da Bahia pelo União Brasil. A movimentação de Wagner provocou rearranjos entre lideranças e candidatos que já possuíam bases eleitorais na região.
Apesar das controvérsias, Wagner mantém o discurso de que sua candidatura representa uma oportunidade para ampliar a representação de Vitória da Conquista na Assembleia Legislativa.
No evento, o candidato encerrou sua fala apostando no resultado das urnas e afirmando que os questionamentos enfrentados durante a campanha não deverão impedir seu projeto eleitoral.
A declaração coloca a eleição de 4 de outubro como o momento em que, segundo o próprio Wagner Alves, os eleitores poderão responder às disputas e acusações que marcaram sua campanha.





