Deputado federal foi questionado por Vinícius Lima, da Rádio Conquista FM, sobre a falta de intervenções na região e afirmou que investimentos estão previstos, mas dependem da nova concessionária
A situação da infraestrutura rodoviária de Vitória da Conquista e do Sudoeste da Bahia voltou ao centro do debate após entrevista do deputado federal Cláudio Cajado (PP-BA) à Rádio Conquista FM. Durante a conversa, o parlamentar foi questionado pelo apresentador Vinícius Lima sobre a demora na realização de obras consideradas importantes para a região.
Vinícius Lima comparou a situação de Vitória da Conquista com investimentos realizados em outras regiões da Bahia e questionou Cajado sobre a capacidade da bancada baiana de pressionar pela execução das obras.
“Estamos assistindo aí a Feira de Santana com três viadutos sendo construídos (…) e aqui em Conquista estamos mendigando um viaduto”, afirmou Vinícius durante a entrevista.
O apresentador também lembrou que a região acompanha há anos discussões envolvendo a concessão de rodovias e perguntou ao deputado por que o Sudoeste, na avaliação apresentada durante a entrevista, acaba ficando para depois na definição das grandes intervenções.
Cajado cita concessões e mudanças no modelo de investimentos
Em resposta, Cláudio Cajado afirmou que passou a ter maior participação nas discussões relacionadas ao setor de transportes depois de assumir a presidência da Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados. O deputado também destacou a realização de audiência pública sobre as concessões das BRs 116 e 324.
A atuação de Cajado nesse processo é registrada oficialmente pela Câmara dos Deputados. Em fevereiro de 2026, ele apresentou requerimento para a realização de audiência pública sobre o futuro das concessões das BRs 116 e 324 na Bahia. A audiência ocorreu em março.
Segundo o parlamentar, parte dos atrasos estaria relacionada ao processo envolvendo a antiga concessionária ViaBahia e à transição para um novo modelo de concessão.
Cajado afirmou que algumas intervenções que estavam previstas anteriormente acabaram sendo incorporadas ao novo contrato. Na avaliação apresentada pelo deputado, isso contribuiu para postergar investimentos que poderiam ter ocorrido antes.
Crítica a Tarcísio de Freitas
Durante a entrevista, Cláudio Cajado também fez uma crítica à condução adotada durante a gestão de Tarcísio de Freitas à frente do Ministério dos Transportes.
Segundo o deputado, na época em que Tarcísio comandava a pasta, ele defendia a retirada da antiga concessionária por meio de uma decisão judicial. Cajado afirmou que havia defendido uma alternativa por meio de um termo de ajuste de conduta com exigências consideradas rigorosas.
Na entrevista, o parlamentar declarou que a estratégia adotada acabou não produzindo o resultado esperado e, segundo sua avaliação, contribuiu para a demora na solução do problema.
A declaração foi feita por Cajado durante a entrevista e representa a avaliação do próprio deputado sobre o processo.
Nova concessão prevê investimentos bilionários
A discussão ocorre justamente em um momento em que o governo federal avança com a nova concessão da chamada Rota 2 de Julho, formada por trechos das BRs 116 e 324.
De acordo com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o projeto contempla 653,3 quilômetros de rodovias e prevê aproximadamente R$ 14,33 bilhões em investimentos, sendo R$ 10,52 bilhões concentrados nos oito primeiros anos da concessão. O contrato previsto tem duração de 30 anos.
O trecho inclui a BR-116 entre o acesso ao Contorno de Feira de Santana e a divisa da Bahia com Minas Gerais. Também está incluído o segmento da BR-116 entre o entroncamento com o Anel Rodoviário de Vitória da Conquista e o viaduto sobre a rodovia.
A modelagem também prevê duplicações e outras melhorias na infraestrutura rodoviária. Segundo a ANTT, estão previstos 306,6 quilômetros de duplicações no sistema concedido.
“Esses investimentos estão previstos”, diz Cajado
Ao ser pressionado por Vinícius Lima sobre a efetiva realização das obras, Cajado fez uma ressalva.
O deputado afirmou que os investimentos estão previstos, mas evitou garantir que todas as intervenções necessariamente serão executadas nos termos esperados pela população.
“Eu posso lhe garantir, Vinícius, é que esses investimentos estão previstos”, afirmou.
Na sequência, diante da pergunta sobre se poderia garantir que as obras aconteceriam, Cajado respondeu:
“Eu garanto que nós estamos lutando para que as concessões sejam feitas e os investimentos também, mas vai depender da empresa que ganhar.”
A declaração coloca em evidência uma questão central para Vitória da Conquista: a diferença entre uma obra estar prevista no projeto de concessão e sua efetiva execução dentro do cronograma estabelecido no contrato.
Vitória da Conquista continua de olho no novo contrato
O projeto da Rota 2 de Julho representa uma nova etapa para as rodovias que cortam a Bahia. Ao mesmo tempo, a população de Vitória da Conquista acompanha especialmente as intervenções previstas para o trecho que passa pelo município e pelo Anel Rodoviário.
O próprio edital da concessão estabelece que o sistema inclui o segmento da BR-116 entre o entroncamento com o Anel Rodoviário de Vitória da Conquista e o viaduto sobre a BR-116.
Além disso, a nova concessão prevê uma série de investimentos em infraestrutura, manutenção, segurança e ampliação da capacidade das rodovias.
A entrevista de Cláudio Cajado, portanto, coloca uma cobrança política sobre a mesa: transformar os investimentos previstos no papel em obras efetivamente realizadas na região.
Para Vitória da Conquista, a expectativa permanece relacionada à execução das intervenções previstas para o trecho local da BR-116, enquanto o processo de concessão avança.
A declaração de Cajado também deixa claro que, apesar da previsão de investimentos, o parlamentar não apresentou uma garantia de que todas as obras serão executadas imediatamente. Segundo ele, a realização dependerá do processo de concessão e da empresa vencedora.





