Durante participação no programa Band Cidade, o chefe de gabinete da Presidência da Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista, Rafael Nunes, comentou o cenário político envolvendo a prefeita Sheila Lemos e defendeu que críticas relacionadas à atuação de uma gestora não sejam automaticamente classificadas como violência política de gênero.
Segundo Rafael, existe uma diferença entre ataques relacionados à condição pessoal de uma mulher e questionamentos feitos dentro do campo político e administrativo.
“Uma prefeita, uma vereadora, uma deputada, ela não pode também se valer da condição de ser mulher pra poder se blindar das críticas, desde que respeitosas, desde que no campo da política”, afirmou.
Rafael reconhece existência da violência política de gênero
Durante a entrevista, Rafael Nunes também fez questão de reconhecer que a violência política contra mulheres é uma realidade e destacou a existência de mecanismos legais destinados a ampliar a participação feminina na política e combater esse tipo de prática.
Ele citou, entre outros pontos, mecanismos eleitorais relacionados ao financiamento das candidaturas femininas e afirmou que a Justiça Eleitoral vem adotando medidas contra situações caracterizadas como violência política de gênero.
Para Rafael, entretanto, nem toda crítica dirigida a uma mulher que ocupa um cargo público tem necessariamente relação com o fato de ela ser mulher.
“Criticar uma gestora, ou uma vereadora, uma deputada, uma ministra de Estado, uma secretária, nem sempre se dará pela condição de gênero”, declarou.
Na avaliação apresentada pelo chefe de gabinete, a atuação administrativa e política de qualquer agente público está sujeita ao debate e à cobrança da sociedade.
“A condição pessoal dela precisa ser preservada”, diz Rafael
Ao mesmo tempo em que defendeu a possibilidade de críticas políticas à prefeita, Rafael Nunes fez uma distinção entre a figura pública e a vida pessoal de Sheila Lemos.
Ele afirmou que, pessoalmente, considera a prefeita uma pessoa de “finíssimo trato” e que eventuais críticas devem permanecer no campo político e administrativo.
“A condição pessoal dela precisa ser preservada, mas a condição política e administrativa dela está sujeita a críticas”, afirmou.
A declaração ocorre em meio a um cenário de forte movimentação política em Vitória da Conquista, especialmente em torno da candidatura de Wagner Alves, marido de Sheila, para deputado estadual.
Candidatura de Wagner Alves entrou no centro do debate político
A candidatura de Wagner Alves passou a provocar rearranjos dentro do grupo político ligado à prefeita.
Em fevereiro, Sheila Lemos afirmou que não via problema na disputa e disse que havia espaço eleitoral para Wagner e para outros candidatos aliados, como o deputado Tiago Correia.
A movimentação, porém, também provocou divergências entre integrantes da própria base. O vice-prefeito Aloísio Alan passou a apoiar a candidatura da esposa, a vereadora Lara Fernandes, criando uma disputa por espaço eleitoral dentro do mesmo campo político.
Wagner, por sua vez, teve sua candidatura formalizada pelo União Brasil e passou a disputar uma vaga na Assembleia Legislativa da Bahia.
Rafael cita exemplos de outras cidades
Outro ponto abordado por Rafael Nunes foi a presença de familiares de gestores em disputas eleitorais.
Segundo ele, a prática de um prefeito ou prefeita apoiar o marido, a esposa ou outro familiar para uma candidatura não seria exclusiva de Vitória da Conquista.
Na entrevista, Rafael mencionou exemplos de municípios baianos nos quais familiares de lideranças políticas também entraram em disputas eleitorais.
Para ele, entretanto, a utilização desse tipo de estratégia merece debate, principalmente quando o candidato apresentado possui pouca trajetória anterior na política.
“Essa prática não é exclusiva da prefeita Sheila, mas é ruim, sobretudo quando traz alguém que é estranho à política”, afirmou.
Debate sobre liderança política
Rafael também fez referência às discussões recentes sobre a liderança política de Sheila Lemos e às avaliações relacionadas ao desempenho eleitoral dos candidatos apoiados pela prefeita.
Ele citou, inclusive, análises que vêm sendo divulgadas pelo Blog do Rodrigo Ferraz, especialmente em relação à candidatura de Wagner Alves e aos demais nomes apoiados pelo grupo político da prefeita.
O tema ganhou ainda mais espaço após a candidatura de Wagner provocar mudanças e disputas dentro da base política municipal. A imprensa baiana vem registrando diferentes interpretações sobre os efeitos da candidatura do marido de Sheila no cenário político de Vitória da Conquista.
Declaração coloca gênero e crítica política no centro da discussão
A fala de Rafael Nunes coloca novamente em evidência uma discussão que deve ganhar força durante o período eleitoral: até que ponto uma crítica dirigida a uma mulher que ocupa um cargo público pode ser considerada violência política de gênero?
Na avaliação apresentada por Rafael, o gênero não deve impedir a fiscalização ou o questionamento de decisões políticas e administrativas, desde que as manifestações permaneçam no campo do respeito.
Ao mesmo tempo, ele reconheceu que mulheres enfrentam desafios específicos na política e que mecanismos de proteção são necessários para combater ataques motivados pelo gênero.
O debate ocorre em um momento de intensa movimentação eleitoral em Vitória da Conquista, com diferentes candidaturas disputando espaço e com a prefeita Sheila Lemos diretamente envolvida na campanha do marido, Wagner Alves.
A declaração de Rafael Nunes foi feita durante participação no Band Cidade, em Vitória da Conquista.





