Um dia após o primeiro turno das eleições de 2026, Wagner Alves fez uma avaliação contundente sobre o resultado da disputa para deputado estadual. Durante entrevista nesta segunda-feira (5), o candidato do União Brasil afirmou que as chamadas “guerras internas” e a fragmentação de candidaturas prejudicaram o desempenho de Vitória da Conquista na eleição proporcional.
Com 53.451 votos em toda a Bahia, Wagner ficou fora das cadeiras da Assembleia Legislativa da Bahia. Em Vitória da Conquista, entretanto, ele alcançou 33.397 votos e terminou como o candidato a deputado estadual mais votado no município.
Na avaliação de Wagner, o resultado poderia ter sido diferente caso parte dos votos tivesse sido concentrada em candidaturas com maior possibilidade de eleição.
Wagner fala em “guerra de ego” dentro do grupo político
Durante a entrevista, Wagner afirmou que o problema não estaria apenas em um eventual “racha” político. Segundo ele, existiram disputas internas e interesses individuais que acabaram interferindo na estratégia eleitoral do grupo.
“Não é questão de fazer racha. São guerras internas. Às vezes é guerra de ego mesmo”, declarou.
Na sequência, Wagner estabeleceu uma diferença entre aqueles que, segundo sua avaliação, pensam Vitória da Conquista como um projeto coletivo e aqueles que enxergariam a cidade a partir de projetos políticos individuais.
“Quem pensa Vitória da Conquista como cidade e quem pensa Vitória da Conquista como um projeto político individual, pessoal, que acaba sendo apenas um projeto de poder”, afirmou.
A crítica ocorre em meio aos conflitos que marcaram a campanha de 2026. Durante a disputa, Wagner enfrentou candidaturas que concorreram pelo mesmo eleitorado e também teve embates políticos com integrantes de grupos que anteriormente mantinham proximidade com a administração da prefeita Sheila Lemos.
Wagner afirma que candidaturas foram lançadas para barrá-lo
Em um dos momentos mais duros da entrevista, Wagner afirmou que algumas candidaturas teriam sido lançadas com o objetivo específico de impedir sua eleição.
O candidato não citou nomes, mas disse que poderia fazê-lo caso fosse necessário.
“Teve gente aí que lançou e, se precisar dar os nomes à frente, eu dou”, afirmou.
Logo depois, Wagner explicou sua interpretação sobre essas candidaturas. Segundo ele, alguns concorrentes não teriam condições reais de conquistar uma vaga e teriam entrado na disputa principalmente para retirar votos de sua candidatura.
“Pessoas que não tinham a mínima condição de eleição, por qualquer vertente que você olhasse, qualquer pesquisa que você fizesse”, declarou.
Wagner classificou essa estratégia como “mesquinha” e afirmou que ela teria colocado interesses individuais acima dos interesses de Vitória da Conquista.
“Você não está pensando na sua cidade. Você não está pensando no melhor para o seu povo”, disse.
As declarações representam a avaliação do próprio candidato sobre a estratégia adotada por outros concorrentes. Wagner, porém, não apresentou na entrevista os nomes das pessoas que, segundo ele, teriam lançado candidaturas com esse propósito.
“Tivemos votos suficientes para garantir essa cadeira”
Apesar da frustração com o resultado, Wagner afirmou que sua votação demonstrou que ele tinha força eleitoral suficiente para conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa.
“Eu tive votos suficientes para me eleger”, afirmou.
Além disso, o candidato estimou que poderia ter ultrapassado a marca de 80 mil votos caso não tivesse enfrentado a fragmentação eleitoral que, segundo ele, ocorreu durante a campanha.
“Você imagina se não fosse todos esses ataques, esses lançamentos de candidaturas para poder me derrubar, nós teríamos aí tranquilamente acima de 80 mil votos”, declarou.
A estimativa, entretanto, trata-se de uma projeção feita pelo próprio Wagner e não de um cálculo oficial do resultado eleitoral.
Wagner lamenta perda de cadeira de Valdenor
Durante a entrevista, Wagner também mencionou o deputado estadual Valdenor Pereira, que não conseguiu renovar sua cadeira na Assembleia.
Embora tenha classificado Valdenor como adversário político, Wagner afirmou que não o considera inimigo. Por isso, disse lamentar que a cidade tenha perdido mais um representante no Legislativo estadual.
“Valdenor é um adversário político, mas não é meu inimigo. Fico triste por Valdenor ter perdido essa cadeira, porque pelo menos era de Conquista”, afirmou.
A declaração reforça outro argumento apresentado por Wagner durante a entrevista: a necessidade de Vitória da Conquista concentrar votos em candidatos com chances reais de eleição.
Wagner diz que Conquista poderia ter quatro deputados estaduais
Outro ponto destacado pelo candidato foi a quantidade de representantes que Vitória da Conquista poderia ter conquistado na Assembleia.
Segundo Wagner, a cidade tinha condições de chegar a quatro deputados estaduais, independentemente do campo político.
“Nós poderíamos ter, no mínimo, ido para quatro deputados em Conquista, independentemente do campo, se direita ou esquerda. E caímos para dois”, afirmou.
Para Wagner, o resultado representa uma perda política para o município.
“É uma tristeza para Vitória da Conquista. Eu fico triste pelo nosso povo”, declarou.
O candidato também afirmou que a cidade teria potencial para eleger ainda mais representantes.
“Nós poderíamos estar tranquilamente comemorando aqui cinco deputados. Conquista tem tamanho para isso”, disse.
Na avaliação dele, entretanto, o município terminou o processo eleitoral com apenas dois representantes na Assembleia e nenhum deputado federal eleito.
“Voto útil” entra no discurso de Wagner
A partir dessa análise, Wagner passou a defender o conceito de “voto útil”. Para ele, o eleitor precisa avaliar quais candidatos realmente apresentam condições de conquistar uma cadeira antes de definir seu voto.
“Voto útil. O que é voto útil? É você votar em quem realmente tem condição real de ser eleito”, explicou.
Wagner utilizou a própria candidatura como exemplo. Segundo ele, sua votação demonstrou que existia competitividade suficiente para disputar uma vaga, mesmo diante da fragmentação.
“Eu tinha condições reais de ser eleito”, afirmou.
Além disso, Wagner voltou a mencionar a composição partidária como um dos fatores decisivos para o resultado. Na entrevista anterior, ele já havia afirmado que sua escolha pelo União Brasil acabou prejudicando sua candidatura na distribuição das cadeiras.
Candidato diz que manterá disposição para novas eleições
Apesar dos conflitos relatados durante a campanha, Wagner afirmou que não desistiu da disputa. Ele citou a própria trajetória durante o processo eleitoral para destacar que continuou na campanha mesmo depois que dois nomes que poderiam apoiá-lo decidiram lançar candidaturas próprias.
“Eu, Sheila e todos os nossos apoiadores fomos com coragem”, declarou.
Segundo Wagner, a votação alcançada mostrou que sua candidatura manteve força mesmo diante da fragmentação.
Ao final, o candidato voltou a defender uma mudança de estratégia para as próximas eleições. Para ele, Vitória da Conquista precisa discutir não apenas quem representa diferentes grupos políticos, mas também como concentrar votos para ampliar a presença da cidade na Assembleia Legislativa e no Congresso Nacional.
Dessa forma, o discurso de Wagner Alves após a eleição combina três elementos: a crítica às disputas internas, a defesa do voto útil e a avaliação de que sua votação individual demonstrou força suficiente para conquistar uma cadeira.
Enquanto isso, as declarações também colocam novos elementos no debate político de Vitória da Conquista. Afinal, ao falar em “guerras de ego”, “projeto de poder” e candidaturas que, segundo ele, teriam sido lançadas para barrá-lo, Wagner sinaliza que os conflitos internos do grupo político ainda podem repercutir nos próximos movimentos da política local.





