A prefeita de Vitória da Conquista, Sheila Lemos, afirmou que pretende reorganizar a base de apoio do governo na Câmara Municipal após o período eleitoral. A declaração ocorreu nesta segunda-feira (5), um dia depois do primeiro turno das eleições de 2026, durante entrevista que também contou com a participação de Wagner Alves.
Durante a conversa, Sheila reconheceu que o período eleitoral provocou desgastes entre aliados. Segundo ela, os últimos meses foram marcados por muita tensão política.
“Eu digo que os fios ficam desencapados, qualquer coisa dá choque. Então é um período muito tenso”, afirmou a prefeita.
Sheila fala em reconstruir o diálogo com vereadores
Na sequência, Sheila foi questionada sobre a relação com os vereadores que integram sua base. A pergunta citou, principalmente, os atritos envolvendo o PSDB durante a campanha e a situação política relacionada à vereadora Lara Fernandes.
Diante desse cenário, a prefeita indicou que pretende retomar o diálogo com os integrantes da Câmara Municipal. Além disso, ela reconheceu a necessidade de reorganizar politicamente o grupo depois da eleição.
“Agora passou o período eleitoral. Tem que sentar e reorganizar a casa”, declarou.
Dessa forma, a fala sinaliza uma nova etapa na relação entre o Executivo e o Legislativo municipal. Depois dos meses de campanha, Sheila deverá concentrar esforços tanto na administração quanto na reconstrução das relações com aliados que adotaram posições diferentes durante a disputa.
Campanha expôs divergências dentro da base
A declaração da prefeita ocorre após uma campanha marcada por divergências dentro do próprio grupo político que sustenta o governo municipal. Ao longo de 2026, Sheila enfrentou atritos com antigos aliados, principalmente depois de decidir apoiar a candidatura de Wagner Alves para deputado estadual.
Entre os principais episódios esteve a relação com o PSDB e o deputado estadual Tiago Correia. A decisão de Sheila de priorizar Wagner na disputa estadual provocou insatisfação entre os tucanos. Além disso, integrantes do partido passaram a demonstrar publicamente divergências em relação à condução dos apoios em Vitória da Conquista.
Posteriormente, a tensão ganhou novos contornos. O deputado federal Adolfo Viana, do PSDB, criticou publicamente Sheila e afirmou que a escolha de Wagner representava um afastamento político do grupo tucano. Assim, o episódio ampliou as diferenças entre a prefeita e antigos aliados.
Caso Lara Fernandes também provocou tensão
Outro ponto de desgaste envolveu a vereadora Lara Fernandes, do Republicanos, que também disputou uma vaga na Assembleia Legislativa da Bahia.
Durante a campanha, Lara e Wagner passaram a disputar parte do mesmo eleitorado. Como resultado, os dois protagonizaram um embate político que ganhou repercussão no cenário local.
Em determinado momento, Lara acusou Wagner de supostamente utilizar serviços de saúde para obter apoio eleitoral. Por outro lado, Wagner negou as acusações e afirmou que recorreria à Justiça.
Consequentemente, o episódio aumentou a tensão dentro de um grupo político que, até então, mantinha proximidade com a administração municipal.
Além disso, o desgaste atingiu a relação entre Sheila e o vice-prefeito Aloísio Alan, marido de Lara. Durante a campanha, o Republicanos anunciou o afastamento da base do governo municipal, ampliando as dificuldades políticas enfrentadas pela prefeita.
Sheila tenta reorganizar a base após eleição
Nesse contexto, a expressão utilizada por Sheila sobre os “fios desencapados” ganha significado político. Afinal, a campanha expôs divergências entre integrantes que anteriormente atuavam juntos no mesmo grupo.
Por outro lado, a prefeita não indicou uma ruptura definitiva com os antigos aliados. Pelo contrário, sua declaração aponta para uma tentativa de reconstrução política após o encerramento do primeiro turno.
“Tem que sentar e reorganizar a casa”, afirmou.
A partir de agora, portanto, Sheila deverá retomar conversas com vereadores e lideranças que se afastaram politicamente durante a campanha. Além disso, a prefeita terá de buscar novos pontos de convergência para manter uma base capaz de apoiar as principais pautas do governo.
Base de Sheila deve apoiar Flávio Bolsonaro
Além das questões relacionadas à Câmara Municipal, Sheila Lemos também comentou a disputa presidencial no segundo turno. Segundo a prefeita, a base política do governo em Vitória da Conquista deverá apoiar Flávio Bolsonaro.
“Tenho certeza que toda a nossa base vai optar por apoiar Flávio Bolsonaro”, afirmou.
Ao mesmo tempo, Sheila declarou que não identifica, neste momento, uma divisão relevante dentro de seu grupo político sobre a escolha para o segundo turno.
“Então não tem discussão dentro da base”, declarou.
Nesse sentido, a manifestação estabelece uma posição clara do grupo político da prefeita na disputa presidencial. Além disso, a definição ocorre justamente durante o processo de reorganização das forças políticas locais após o primeiro turno.
Pós-eleição abre nova fase para o governo
Com o encerramento do primeiro turno, Vitória da Conquista entra em uma nova etapa de articulação política. Agora, lideranças locais começam a avaliar os resultados, revisar alianças e definir os próximos movimentos.
Para Sheila Lemos, entretanto, o desafio não envolve apenas a disputa nacional. A prefeita também precisará reconstruir a relação com vereadores e aliados que apresentaram divergências durante a campanha.
Por isso, a reorganização da base aparece como uma das principais tarefas políticas do governo para os próximos meses. Uma relação mais estável com a Câmara poderá facilitar a aprovação de projetos e a condução das principais ações da administração.
Ao mesmo tempo, o apoio declarado a Flávio Bolsonaro mostra que Sheila pretende manter uma posição política definida no segundo turno. Assim, enquanto reorganiza internamente sua base, a prefeita também participa das articulações da disputa presidencial.
No fim, a entrevista deixou duas mensagens claras. Primeiro, Sheila reconheceu que a campanha provocou tensão e desgastes entre aliados. Segundo, ela sinalizou disposição para retomar o diálogo e reconstruir a unidade do grupo.
Ao resumir o momento político, a prefeita foi direta: “Tem que sentar e reorganizar a casa.”





