O Partido Liberal (PL) decidiu manter a ofensiva pela abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), mesmo diante de sinais de aproximação institucional vindos de uma ala da Corte após o resultado do primeiro turno das eleições de 2026.
Segundo apuração do jornalista Caio Junqueira, da CNN Brasil, o partido rejeitou a possibilidade de um acordo político com ministros do Supremo e pretende levar adiante, em 2027, pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes e, dependendo de sua atuação diante do resultado da eleição presidencial, também contra Flávio Dino.
PL calcula 49 votos contra Moraes
De acordo com a apuração da CNN, o PL calcula que já possui 49 votos no Senado favoráveis ao impeachment de Alexandre de Moraes. Considerando a regra atualmente adotada para esse tipo de processo, seriam necessários 54 votos, o que deixa o partido, segundo suas próprias contas, a cinco votos do número considerado necessário.
A legenda pretende apresentar os pedidos em 2027, quando os novos senadores eleitos em 2026 assumirão seus mandatos.
A questão ganhou maior relevância depois que o primeiro turno produziu uma composição do Senado com forte presença de parlamentares alinhados à direita. Uma análise publicada pela CNN apontou que, dentro do STF, existe preocupação com a possibilidade de tramitação de pedidos de impeachment a partir do próximo ano.
Sinais de diálogo entre STF e direita
Ao mesmo tempo em que o PL afirma que pretende manter a ofensiva, uma ala do STF estaria defendendo a abertura de um canal de diálogo com setores ligados ao bolsonarismo.
Segundo a CNN, o eventual entendimento poderia envolver temas relacionados à situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro e à anistia dos condenados pelos atos de 8 de janeiro. A emissora ressalta, porém, que esse movimento estaria sendo tratado nos bastidores e dependeria também do resultado do segundo turno presidencial.
A apuração aponta ainda que a permanência de Alexandre de Moraes no STF seria um dos principais pontos de resistência em uma eventual negociação.
Rogério Marinho tentou abrir canal institucional
A movimentação ocorre depois de uma tentativa de aproximação institucional por parte da campanha de Flávio Bolsonaro.
Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial, procurou ministros do Supremo para transmitir a disposição de manter diálogo institucional. A CNN já havia informado, em setembro, que Marinho havia se reunido com o ministro Gilmar Mendes e buscava separar as críticas dirigidas a Alexandre de Moraes da relação institucional com o Supremo.
Apesar disso, a apuração mais recente indica que o PL não pretende abandonar a defesa do impeachment de Moraes.
O partido também passou a colocar Flávio Dino no radar. Segundo Caio Junqueira, a decisão de avançar ou não contra o ministro dependerá de sua atuação diante de um eventual resultado favorável a Flávio Bolsonaro na disputa presidencial.
Disputa pode aumentar tensão entre Congresso e STF
O cenário coloca o Senado no centro de uma possível disputa institucional a partir de 2027.
De um lado, o crescimento da bancada do PL e de outros parlamentares alinhados à direita aumenta o número de senadores que, segundo levantamentos divulgados pela CNN, podem apoiar processos contra ministros do STF. De outro, integrantes da Corte avaliam a possibilidade de estabelecer canais de diálogo com setores da direita para reduzir a tensão institucional.
A eventual abertura de processos de impeachment, contudo, dependerá da apresentação dos pedidos, da tramitação no Senado e da obtenção dos votos necessários. Portanto, os números atualmente divulgados pelo PL representam uma estimativa política da própria legenda e não significam que um processo contra qualquer ministro esteja aprovado.
O resultado das eleições de 2026, porém, já alterou a composição do Senado e colocou a relação entre Congresso e Supremo entre os principais temas da política brasileira para 2027.





