As empresas estatais federais registraram déficit primário de R$ 2,014 bilhões em setembro de 2026, o pior resultado para o mês desde o início da série histórica do Banco Central (BC), em dezembro de 2001. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (29) e revelam uma deterioração no resultado financeiro dessas empresas.
O cenário também chama atenção quando considerado o conjunto das estatais brasileiras. Somando empresas federais, estaduais e municipais, o déficit primário chegou a R$ 3,393 bilhões em setembro.
A situação é ainda mais preocupante quando analisado o resultado acumulado ao longo do ano. Entre janeiro e setembro de 2026, as estatais federais registraram déficit de aproximadamente R$ 8,5 bilhões. No mesmo período de 2025, o resultado negativo havia sido de R$ 6,3 bilhões.
Os números representam um aumento de aproximadamente 35% no déficit acumulado em comparação com os nove primeiros meses do ano passado.
Correios estão entre os principais desafios financeiros
Um dos casos que chama atenção é o dos Correios, empresa pública que atravessa uma grave crise financeira e passa por um processo de reestruturação.
No segundo trimestre de 2026, a estatal registrou prejuízo líquido de R$ 2,39 bilhões. No primeiro semestre, as perdas acumuladas chegaram a R$ 5,55 bilhões.
A empresa anunciou medidas para tentar recuperar sua situação financeira, incluindo revisão de despesas e contratos, reorganização administrativa e iniciativas para aumentar a eficiência operacional.
Apesar das medidas, os resultados negativos continuam representando um desafio para a recuperação da estatal.
Banco Central faz ressalva sobre os números
O Banco Central esclarece que os dados do resultado primário das empresas estatais não permitem identificar separadamente quanto do déficit está relacionado a investimentos e quanto corresponde a despesas correntes.
Essa distinção é importante porque investimentos podem representar gastos destinados à ampliação e modernização das empresas, enquanto despesas correntes estão relacionadas à manutenção das atividades.
Outro detalhe é que o levantamento não contempla empresas como Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.
Os números, portanto, representam o resultado das empresas abrangidas pela metodologia fiscal do Banco Central, e não o desempenho financeiro de todas as empresas públicas brasileiras.
O resultado de setembro reforça a pressão sobre as contas das estatais federais e amplia o debate sobre gestão, eficiência operacional, investimentos e necessidade de reestruturação das empresas públicas.





