O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu manifestações públicas de congratulações de dois grupos classificados como organizações terroristas por diversos países: Hamas e Hezbollah. As mensagens foram divulgadas após a vitória do petista no segundo turno das eleições presidenciais de 2026 e chamaram atenção pelo conteúdo dos elogios às posições do governo brasileiro sobre o conflito no Oriente Médio.
O Hamas publicou sua manifestação na segunda-feira (26), um dia depois da votação. Em comunicado, o grupo parabenizou o povo brasileiro e Lula pela reeleição, destacando o posicionamento do presidente em defesa da causa palestina e suas críticas às políticas de Israel.
A organização classificou as posições de Lula como “nobres e corajosas” e manifestou expectativa de que o novo mandato mantenha o apoio brasileiro à criação de um Estado palestino independente, com Jerusalém como capital. A mensagem foi divulgada por veículos de comunicação ligados ao movimento palestino. <escape>[1]</escape>
Hezbollah também envia felicitações
Três dias depois, na quinta-feira (29), foi a vez do Hezbollah divulgar uma mensagem de congratulações ao presidente brasileiro. O comunicado foi publicado pelo Al-Manar, veículo de comunicação ligado à organização libanesa.
Na nota, o grupo enviou suas “mais calorosas felicitações” a Lula e descreveu a vitória eleitoral como uma renovação da confiança do povo brasileiro em seu governo.
O Hezbollah também elogiou a posição do presidente sobre a guerra na Faixa de Gaza, especialmente as críticas às operações militares israelenses e o apoio à causa palestina. A manifestação ainda destacou a oposição de Lula à influência dos Estados Unidos na política internacional e defendeu o fortalecimento das relações entre Brasil, Líbano e Cuba. <escape>[2]</escape>
Organizações são classificadas como terroristas por diferentes países
As manifestações ganham repercussão pelo histórico e pela classificação internacional das duas organizações.
O Hamas, que controla a Faixa de Gaza desde 2007, é considerado uma organização terrorista pelos Estados Unidos, pela União Europeia, pelo Reino Unido e por outros países. O grupo foi responsável pelos ataques de 7 de outubro de 2023 contra Israel, que deixaram cerca de 1.200 mortos e resultaram no sequestro de centenas de pessoas.
O Hezbollah, organização político-militar libanesa apoiada pelo Irã, também é classificado como terrorista pelos Estados Unidos, Israel e Reino Unido. A União Europeia mantém essa classificação para o braço militar da organização.
As duas manifestações ocorreram em meio às divergências diplomáticas entre o governo Lula e Israel, especialmente após as declarações do presidente brasileiro sobre a condução da guerra em Gaza.
Os comunicados não significam, por si só, a existência de qualquer vínculo operacional ou de aliança formal entre o governo brasileiro e essas organizações. As mensagens, entretanto, evidenciam a identificação dos grupos com determinadas posições da política externa defendida por Lula.





