O chefe de gabinete da deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) foi preso na quarta-feira (28), durante uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro que investiga uma rede suspeita de exploração sexual de adolescentes. A investigação apura a produção de vídeos de violência sexual, estupros coletivos, torturas e ameaças contra vítimas.
O investigado é Carlos Alberto Lúcio Bittencourt Filho, de 45 anos, que trabalhava com a parlamentar desde 2019. Segundo informações publicadas pelo portal Metrópoles, ele comandava o escritório da deputada no Rio de Janeiro e recebia aproximadamente R$ 18,2 mil mensais pelo cargo.
A operação, denominada NXIVM, cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão em municípios da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Entre os presos também está um terceiro-sargento da Polícia Militar.
De acordo com as investigações, o grupo produzia registros audiovisuais de violência sexual contra adolescentes e utilizava as imagens para ameaçar e chantagear as vítimas, mantendo-as sob controle e submetendo-as a novos abusos.
A apuração começou em julho, após a prisão de outro assessor parlamentar ligado ao PSOL, que trabalhava no gabinete do vereador Professor Túlio, em Niterói. A análise de celulares, computadores e imagens permitiu aos investigadores avançar na identificação de outros possíveis integrantes da rede criminosa.
Deputada havia criticado castração química para condenados por pedofilia
A prisão do assessor ganhou repercussão política também pelo posicionamento anterior de Talíria Petrone sobre a castração química de condenados por crimes sexuais contra crianças e adolescentes.
Em dezembro de 2024, durante a votação de uma proposta na Câmara dos Deputados, a parlamentar se posicionou contra a inclusão da medida no projeto que instituiu o cadastro nacional de pedófilos.
Na ocasião, Talíria classificou a proposta como uma “farsa” e argumentou que a redução da libido não impediria necessariamente a prática de violência sexual. Segundo ela, o enfrentamento desses crimes deveria priorizar prevenção, educação e campanhas de proteção às crianças.
A castração química acabou incluída no texto aprovado pela Câmara, que seguiu para o Senado.
Talíria anunciou exoneração do assessor
Após tomar conhecimento da prisão, Talíria Petrone divulgou uma nota afirmando que foi surpreendida pela operação policial e determinou a exoneração do assessor.
A deputada também manifestou solidariedade à vítima e à família, além de defender que as investigações sejam conduzidas com transparência, rigor e independência.
A parlamentar declarou que não compactua com qualquer forma de violência contra mulheres e meninas.
Até o momento, as informações divulgadas não apontam Talíria Petrone como investigada na operação. A prisão do assessor não representa, por si só, comprovação de culpa, e as acusações deverão ser apuradas no curso do processo judicial.
O espaço permanece aberto para manifestações da defesa do investigado e eventuais esclarecimentos.





