O ex-prefeito de Salvador e vice-presidente nacional do União Brasil, ACM Neto, criticou as decisões das prefeituras de Fortaleza e Recife de cancelar as apresentações da dupla sertaneja Jorge & Mateus nas festas de Réveillon 2027. Em publicação nas redes sociais nesta quarta-feira (4), o político questionou o que considera uma postura de intolerância política e defendeu que divergências ideológicas não devem interferir na contratação de artistas para eventos públicos.
A polêmica começou depois que voltou a circular nas redes sociais um vídeo gravado em 20 de outubro, durante um encontro de artistas sertanejos em Goiás. Na ocasião, o cantor Jorge manifestou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) e declarou: “Pode chorar, mas eu não voto no PT”.
Após a repercussão, internautas passaram a pressionar as administrações municipais para retirar a dupla da programação das festas de fim de ano.
Em Fortaleza, o prefeito Evandro Leitão (PT) anunciou o cancelamento da apresentação. Segundo ele, as negociações haviam começado meses antes, mas as controvérsias posteriores desviaram a atenção do objetivo principal da festa. A prefeitura informou que a decisão foi tomada em comum acordo e de forma legal.
No Recife, o prefeito Victor Marques (PCdoB) também voltou atrás e retirou Jorge & Mateus da programação. Inicialmente, o gestor havia defendido o respeito às diferenças políticas, mas posteriormente afirmou que não havia mais clima para manter a apresentação.
As duas administrações informaram que os cachês seriam custeados por patrocinadores privados, sem utilização de recursos municipais.
ACM Neto aponta contradição e cita Salvador
Ao comentar o episódio, ACM Neto utilizou a programação do Festival Virada Salvador como contraponto. A capital baiana anunciou Daniela Mercury e BaianaSystem entre as atrações da festa, apesar dos posicionamentos políticos dos artistas.
Na publicação, Neto questionou: “Já imaginaram se Salvador decidisse cancelar os shows de Daniela Mercury e BaianaSystem no Réveillon? Seria um escândalo, né? O discurso de censura, perseguição política e intolerância certamente ganharia as manchetes”.
O político também criticou o que classificou como postura de prefeituras governadas pelo PT e seus aliados.
Ao finalizar a manifestação, ACM Neto escreveu: “Gente, prefeito não é dono do dinheiro público! Nem do voto de quem sobe no palco. Me poupe!”.
A programação de Salvador foi anunciada pelo prefeito Bruno Reis (União Brasil) nesta quarta-feira (4). Além de Daniela Mercury e BaianaSystem, o evento contará com artistas de diferentes estilos musicais.
Debate sobre liberdade artística e critérios políticos
O episódio reacende a discussão sobre liberdade de expressão, pluralidade política e critérios utilizados pelas administrações públicas na contratação de artistas.
Embora as prefeituras tenham justificado os cancelamentos pela repercussão negativa e pela falta de clima para as apresentações, a sequência dos acontecimentos colocou em evidência o peso das manifestações políticas dos artistas nas decisões relacionadas aos eventos de grande porte.
A discussão também levanta uma questão: até que ponto a pressão de grupos nas redes sociais deve influenciar a programação cultural de eventos promovidos pelas administrações municipais?





