A edição do Jornal das Seis, da Rádio Conquista FM, desta terça-feira (05), conduzida por Daniel Silva, com participações do Dr. Washington Rodrigues e Vinícius Lima, trouxe à tona um dos temas mais debatidos atualmente em Vitória da Conquista: a demora e os problemas na obra da Avenida Brumado.
O tom do programa foi marcado por questionamentos firmes e cobranças diretas à EMURC (Empresa Municipal de Urbanização) e à gestão municipal. O principal ponto levantado foi o aparente contraste entre os recursos disponíveis e a lentidão na execução da obra. Segundo os comentaristas, a venda recente de terrenos pela EMURC teria gerado mais de vinte milhões de reais, o que levanta a dúvida central: por que, então, a obra segue em ritmo tão lento?
De obra a problema urbano
Durante o debate, os comunicadores foram unânimes ao afirmar que a intervenção na Avenida Brumado deixou de ser apenas uma obra para se tornar um problema concreto para a população. Moradores, comerciantes e usuários da via têm demonstrado insatisfação crescente com os transtornos causados.
Relatos apresentados no programa destacaram o sentimento de frustração de quem depende diariamente da avenida. Segundo Vinícius Lima, o contato com um grupo de moradores e empresários revelou um cenário de decepção com a condução do projeto.
Atrasos e falhas de planejamento
A obra, iniciada a partir de um edital lançado em dezembro de 2023, tinha previsão de conclusão em até 16 meses — ou seja, deveria ter sido entregue até junho de 2025. No entanto, já em maio de 2026, o cenário ainda é de incerteza.
Entre os fatores apontados para o atraso estão:
- Problemas no fornecimento de aduelas (estruturas usadas na drenagem), com capacidade limitada de produção;
- Dependência de um único fornecedor;
- Revisões no projeto original, após identificação de falhas no dimensionamento da drenagem;
- Ritmo irregular de trabalho, com paralisações frequentes.
Para os comentaristas, esses pontos indicam falhas de planejamento e gestão. A crítica mais contundente foi direcionada à justificativa de que o volume de água encontrado foi maior que o previsto — argumento considerado inadequado, já que esse tipo de variável deveria ser previsto em projeto técnico.
Cobrança por transparência
Outro destaque do programa foi a cobrança direta ao presidente da EMURC, Gerson Leite, para que esclareça a situação à população. Os comunicadores chegaram a abrir espaço ao vivo para que o gestor se manifeste e explique os motivos da demora.
Além disso, também houve menção à responsabilidade da gestão municipal, com questionamentos sobre possíveis erros na escolha de fornecedores e na condução geral da obra.
Impacto no bolso do cidadão
Um ponto enfatizado por Dr. Washington Rodrigues foi o impacto financeiro dos atrasos. Segundo ele, quanto mais tempo uma obra demora, mais cara ela se torna — o que significa desperdício de dinheiro público.
A frase que marcou o debate resume bem o sentimento apresentado no programa: “o dinheiro do contribuinte é sagrado”. A percepção é de que a população está pagando a conta por falhas administrativas.
Um alerta para a gestão pública
O debate no Jornal das Seis reforça um alerta importante: obras públicas exigem planejamento rigoroso, execução eficiente e, sobretudo, transparência. A situação da Avenida Brumado evidencia como atrasos e falhas podem transformar uma intervenção necessária em um problema urbano de grandes proporções.
Enquanto isso, a população segue aguardando respostas — e, principalmente, a conclusão de uma obra que já deveria estar pronta.





