Psicóloga Nayala Carregosa participou do programa Bom Dia Cidade, da Rádio Câmara, e falou sobre o evento, o Instituto Integrar e os desafios enfrentados pelas famílias atípicas
O autismo exige atenção para além do diagnóstico. Essa foi uma das principais reflexões apresentadas pela psicóloga Nayala Carregosa durante entrevista ao programa Bom Dia Cidade, da Rádio Câmara.
Apresentado por Vinícius Lima, o programa recebeu a profissional para falar sobre o Congresso Integra TEA. O evento será realizado nos dias 4, 5 e 6 de setembro, em Vitória da Conquista.
A programação acontece no Campus Anísio Teixeira da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Além disso, o congresso reúne profissionais de diferentes áreas.
A proposta é ampliar o debate sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Para isso, o evento aborda questões que vão além do diagnóstico.
Congresso Integra TEA amplia debate sobre o autismo
Segundo Nayala Carregosa, o Integra TEA é o primeiro congresso realizado no município com foco específico no autismo.
O evento reúne especialistas e profissionais capacitados. Dessa forma, a programação contempla diferentes aspectos relacionados ao TEA.
Entre os temas estão a saúde mental dos cuidadores. Também serão discutidos fatores genéticos e ambientais.
Outro ponto importante é o diagnóstico precoce. A intervenção precoce também estará entre os assuntos abordados.
Além disso, o congresso trata dos direitos das pessoas autistas. A proposta inclui ainda discussões sobre abordagens mais naturalistas.
Durante a entrevista, Nayala ressaltou que o objetivo é olhar para o autismo de forma ampla. Afinal, o diagnóstico representa apenas uma etapa da trajetória da pessoa e da família.
Famílias enfrentam sobrecarga emocional e financeira
Um dos principais pontos da entrevista foi a realidade das famílias atípicas.
De acordo com a psicóloga, muitos responsáveis enfrentam uma rotina de sobrecarga. Essa situação envolve aspectos físicos, emocionais e financeiros.
Além disso, muitas famílias encontram dificuldades para acessar profissionais especializados. A falta de uma rede de apoio também aumenta os desafios.
O problema se torna ainda maior entre famílias em situação de vulnerabilidade social e econômica.
Nayala explicou que o Instituto Integrar atende justamente esse público. O projeto oferece atendimento gratuito e busca ampliar o acesso aos cuidados necessários.
Entretanto, a demanda é maior do que os recursos disponíveis.
Por isso, a manutenção do Instituto Integrar também está relacionada à realização do congresso. Parte da proposta é contribuir para a continuidade dos atendimentos oferecidos às famílias.
Instituto Integrar oferece atendimento gratuito
O Instituto Integrar surgiu a partir da necessidade de oferecer apoio às crianças e famílias em situação de vulnerabilidade.
Segundo Nayala, o projeto começou com um grupo pequeno de crianças. Com o aumento da procura, porém, o atendimento foi ampliado.
Atualmente, o instituto recebe famílias de diferentes localidades. O trabalho conta com profissionais e parceiros de diversas áreas.
Entre os atendimentos citados estão fisioterapia e odontologia. Além disso, o projeto conta com profissionais voluntários e parcerias institucionais.
Mesmo com essa rede, ainda existem limitações.
A psicóloga explicou que o instituto não consegue oferecer todas as terapias necessárias. Por isso, a busca por recursos continua sendo fundamental.
Falta de acolhimento ainda preocupa
Outro assunto destacado na entrevista foi a falta de acolhimento.
Segundo Nayala, o preconceito pode aparecer até mesmo dentro da própria família. Como resultado, algumas mães acabam enfrentando isolamento social.
Além disso, existem dificuldades no acesso aos serviços públicos.
Durante o programa, foi relatado o caso de uma mãe que procurou atendimento em uma unidade de saúde. A família teria deixado o local após enfrentar uma situação de falta de acolhimento.
Esse tipo de experiência pode afastar famílias da rede de atendimento. Consequentemente, pessoas que precisam de assistência acabam procurando alternativas.
Para Nayala, o acolhimento deveria ser o ponto de partida.
“Atenção e acolhimento” foram apresentados como elementos básicos no atendimento às famílias.
Inclusão escolar precisa ir além da presença em sala
A inclusão escolar também foi um dos temas discutidos por Nayala e Vinícius Lima.
Na prática, muitas escolas ainda enfrentam dificuldades para atender estudantes autistas. Entre os desafios estão a falta de estrutura e a capacitação dos profissionais.
Além disso, professores podem enfrentar situações de desregulação dentro da sala de aula. Nesses momentos, é necessário conhecer as necessidades específicas de cada estudante.
Para a psicóloga, colocar uma criança autista em uma sala de aula não garante, por si só, inclusão.
É necessário preparar o ambiente. Também é preciso preparar os profissionais e toda a comunidade escolar.
Dessa forma, a inclusão pode se tornar mais efetiva.
A discussão também envolve as escolas particulares. Segundo Nayala, as dificuldades não estão restritas à rede pública.
Saúde e educação precisam trabalhar juntas
Outro ponto destacado foi a necessidade de uma atuação integrada.
Para Nayala, profissionais da saúde e da educação precisam trabalhar em conjunto. Afinal, o desenvolvimento da criança depende de uma rede de cuidados.
Essa rede pode envolver psicólogos, fisioterapeutas, médicos, professores e outros profissionais.
Além disso, a família precisa fazer parte desse processo.
O objetivo é oferecer condições para que a pessoa autista desenvolva autonomia. Ao mesmo tempo, é necessário respeitar suas características e necessidades individuais.
Segundo a psicóloga, não basta apenas oferecer diferentes terapias. É necessário que os profissionais estejam alinhados.
Diagnóstico precoce é um dos temas do congresso
O diagnóstico precoce também terá espaço na programação do Integra TEA.
Durante a entrevista, Nayala destacou a participação da médica Mariana Lacerda. Ela abordará a importância da identificação precoce do transtorno.
A discussão também envolve os protocolos utilizados para identificar sinais do desenvolvimento.
Quanto mais cedo os sinais forem reconhecidos, maiores podem ser as possibilidades de encaminhamento adequado. No entanto, o acompanhamento deve considerar as necessidades de cada pessoa.
Por isso, informação e capacitação são fundamentais.
Congresso também ajuda a manter o Instituto Integrar
Além da formação e da troca de conhecimentos, o congresso possui outro objetivo importante.
A realização do evento contribui para a manutenção do Instituto Integrar.
Segundo Nayala, o instituto precisa de recursos para continuar funcionando. A iniciativa atende famílias que, muitas vezes, não possuem condições financeiras para custear tratamentos particulares.
Por isso, participar do congresso também representa uma forma de apoiar o projeto.
Ao mesmo tempo, o público terá acesso a informações sobre o autismo. Profissionais e estudantes poderão ampliar seus conhecimentos.
Um debate que precisa continuar
Durante a entrevista, Nayala afirmou que espera que o Congresso Integra TEA seja o primeiro de muitos.
A psicóloga destacou que ainda existe muito a ser discutido. Entre os próximos temas estão educação e inclusão.
A proposta, portanto, é ampliar o debate.
Mais do que falar sobre diagnóstico, o evento coloca em pauta a vida cotidiana das pessoas autistas e de suas famílias.
A discussão envolve saúde, educação, direitos, acolhimento e qualidade de vida.
Por fim, o Congresso Integra TEA reforça uma mensagem importante: inclusão não significa apenas estar presente. É preciso garantir condições para participar, aprender, conviver e desenvolver autonomia.
Serviço
Congresso Integra TEA
Tema: Os desafios do autismo para além do diagnóstico
Data: 4, 5 e 6 de setembro de 2026
Local: UFBA – Campus Anísio Teixeira, Vitória da Conquista (BA)
Realização: Instituto Integrar
Público: profissionais, estudantes, familiares e interessados no tema
A entrevista completa com a psicóloga Nayala Carregosa foi realizada no programa Bom Dia Cidade, apresentado por Vinícius Lima, na Rádio Câmara.





