O candidato ao Governo do Paraná, Sergio Moro, e o candidato ao Senado, Filipe Barros, manifestaram solidariedade a Deltan Dallagnol após uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspender temporariamente os atos de campanha do ex-procurador da Operação Lava Jato.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Moro classificou a decisão como motivo de “indignação” para ele e, segundo sua manifestação, para parte da população paranaense.
Além disso, o candidato ao Governo do Paraná questionou a suspensão da campanha. Para Moro, a medida contraria o entendimento adotado anteriormente pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), que havia reconhecido a elegibilidade de Dallagnol.
“A liberdade política é regra”, afirmou Moro durante o vídeo.
Moro critica suspensão da candidatura
Na sequência, Sergio Moro também destacou que Dallagnol possui apoio eleitoral e afirmou que a decisão interfere no direito dos eleitores de escolher seus representantes.
Por outro lado, a situação ainda depende da análise dos recursos apresentados pela defesa. Portanto, a decisão que suspendeu os atos de campanha não encerra definitivamente a discussão sobre a candidatura.
Moro também declarou que espera uma revisão da decisão pela Justiça Eleitoral.
“É uma decisão inaceitável que nós esperamos que seja revista pelos recursos cabíveis”, afirmou.
Filipe Barros fala em tentativa de retirar Dallagnol da disputa
Durante o mesmo vídeo, Filipe Barros também criticou a decisão judicial.
Segundo Barros, ele e Dallagnol cumpriam uma agenda política no Paraná quando receberam a notícia sobre a suspensão da campanha.
O candidato ao Senado afirmou ainda que considera a decisão uma tentativa de retirar Dallagnol da disputa eleitoral por meio de uma medida judicial.
Além disso, Barros fez críticas ao Partido dos Trabalhadores (PT) e afirmou que, em sua avaliação, a legenda tenta vencer a disputa “no tapetão”.
No entanto, essa afirmação representa a interpretação política de Filipe Barros sobre o episódio. A existência de uma decisão judicial, por si só, não comprova a motivação atribuída pelo candidato ao PT.
Deltan Dallagnol promete recorrer
Após ouvir as manifestações de Moro e Filipe Barros, Deltan Dallagnol afirmou que pretende recorrer da decisão.
O ex-procurador também contou que recebeu a notícia enquanto cumpria compromissos de campanha e afirmou que, naquele momento, não poderia continuar realizando atos eleitorais.
Mesmo assim, Dallagnol disse que pretende utilizar os instrumentos jurídicos disponíveis para tentar reverter a decisão.
“Eu vou lutar essa luta com as nossas armas jurídicas”, declarou.
Além disso, o candidato fez referência à própria trajetória e contou uma conversa que teve com o pai, também promotor de Justiça.
Segundo Dallagnol, o pai o aconselhou a não abandonar aquilo em que acredita. A partir desse episódio, o candidato afirmou que decidiu continuar sua atuação política.
“Vocês vão sempre ser a minha voz”
Durante a gravação, Dallagnol também pediu que seus apoiadores continuem mobilizados enquanto a questão jurídica avança.
“Agora eu não tenho mais voz, eu não posso mais fazer campanha. Mas vocês vão sempre ser a minha voz”, afirmou.
Na sequência, o candidato declarou que pretende continuar sua atuação política e citou a eleição marcada para 4 de outubro.
Dallagnol também encerrou a manifestação com referências à Constituição, à Justiça e à sua fé.
“Essa é uma luta que vale a pena ser lutada”, declarou.
Entenda a disputa judicial
A situação de Dallagnol passou por decisões diferentes dentro da Justiça Eleitoral.
Anteriormente, o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná havia reconhecido a elegibilidade do candidato ao Senado. Posteriormente, uma decisão individual no TSE suspendeu temporariamente seus atos de campanha.
A decisão levou em consideração questionamentos relacionados à situação eleitoral de Dallagnol e aos efeitos de uma decisão anterior do próprio TSE.
Agora, a defesa pretende apresentar os recursos cabíveis para tentar modificar a decisão.
Enquanto isso, a campanha permanece suspensa nos termos determinados pela decisão judicial.
Relação entre o ministro e Alexandre de Moraes
A decisão também ganhou repercussão política por causa da relação entre o ministro Floriano de Azevedo Marques e Alexandre de Moraes.
Os dois possuem uma relação conhecida desde o período em que estudaram Direito na Universidade de São Paulo (USP). Além disso, Floriano assumiu funções no TSE durante a presidência de Moraes.
Posteriormente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nomeou Floriano para o cargo de ministro efetivo do TSE, após a formação da lista correspondente.
No entanto, esses fatos não comprovam qualquer interferência de Alexandre de Moraes na decisão tomada por Floriano no processo envolvendo Dallagnol.
Por isso, eventuais acusações ou interpretações sobre motivação política precisam ser atribuídas aos seus autores e confrontadas com os documentos do processo.
Caso ainda terá novos capítulos
Dessa forma, o caso ainda deve provocar novos desdobramentos na Justiça Eleitoral.
De um lado, Deltan Dallagnol afirma que pretende recorrer e continuar sua disputa judicial. De outro, a decisão do TSE suspendeu temporariamente seus atos de campanha.
Enquanto o processo avança, Sergio Moro e Filipe Barros mantêm o apoio público ao candidato.
Agora, caberá à Justiça Eleitoral analisar os recursos e definir os próximos passos da candidatura de Dallagnol ao Senado pelo Paraná.





