O Ministério da Saúde descartou, em 2025, mais de R$ 108 milhões em vacinas, medicamentos e insumos hospitalares. O valor reacendeu o debate sobre gestão de estoques no SUS e levantou comparações com governos anteriores.
Além do impacto financeiro, o caso chamou atenção porque parte dos produtos ainda estava dentro do prazo de validade.
O que foi descartado?
Entre os itens inutilizados estavam vacinas, medicamentos de alto custo, bombas de infusão de fluidos, insumos hospitalares e até kits para monitoramento de glicose com validade até dezembro de 2050.
Ou seja, não se tratava apenas de produtos vencidos. Em alguns casos, os gestores eliminaram materiais ainda utilizáveis.
Comparação com o governo Bolsonaro
Nos três primeiros anos do atual governo, o total de descartes ultrapassou R$ 2 bilhões. Enquanto isso, durante todo o mandato de Jair Bolsonaro, o valor chegou a cerca de R$ 601 milhões.
Portanto, proporcionalmente, o volume registrado na atual gestão é 3,3 vezes maior.
Ainda assim, especialistas lembram que os anos pós-pandemia trouxeram oscilações na demanda e mudanças na logística de distribuição.
Por que o governo descartou itens ainda válidos?
O Ministério da Saúde aponta diferentes motivos. Primeiro, mudanças nos protocolos médicos podem tornar determinados medicamentos desnecessários. Além disso, decisões judiciais muitas vezes impedem a redistribuição de produtos devolvidos.
Por outro lado, falhas no planejamento de compras e problemas de armazenamento também contribuem para perdas.
Consequentemente, mesmo itens dentro do prazo podem acabar incinerados.
O que o governo pretende fazer?
Após auditorias e críticas, o Ministério anunciou medidas para reduzir desperdícios. Entre elas estão a modernização do controle de estoques, o reforço na redistribuição entre estados e a meta de limitar a incineração a 1% do estoque total até 2026.
Além disso, o governo afirma que, quando há falha contratual, os fornecedores ressarcem os cofres públicos.
Debate continua
Enquanto aliados defendem que parte das perdas decorre de ajustes herdados da pandemia, críticos apontam falhas graves de gestão.
De qualquer forma, o episódio reacende uma discussão central: como evitar desperdícios milionários na saúde pública em um país que ainda enfrenta filas por medicamentos e tratamentos?





