A Polícia Federal identificou pagamentos feitos pela lobista Roberta Luchsinger a integrantes do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), então comandado pelo ministro Wellington Dias. O Estadão divulgou as informações após analisar documentos da investigação.
Segundo os investigadores, os pagamentos ocorreram em 2 de junho de 2023. Entre os destinatários aparecem Ranniêr Costa Ciríaco, então secretário-executivo adjunto do ministério, e José Martinho Ferreira de Araújo, coordenador do cerimonial de Wellington Dias.
Além disso, a investigação encontrou referências a uma terceira conta ligada à família de Martinho. Os documentos agora integram a apuração sobre a atuação de Roberta junto a órgãos do governo federal.
PF apura atuação de Roberta em órgãos do governo
A Polícia Federal investiga suspeitas de tráfico de influência envolvendo a lobista e pessoas próximas ao governo federal.
Durante a apuração, os investigadores encontraram dezenas de registros que mostram visitas de Roberta a ministérios e outros órgãos públicos. Segundo as informações divulgadas pela imprensa, muitas dessas visitas não apareceram nas agendas oficiais das autoridades.
O Ministério do Desenvolvimento Social aparece entre os locais mais visitados pela lobista. Dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação apontaram 17 entradas de Roberta no gabinete de Wellington Dias.
Além disso, em algumas ocasiões, Roberta teria acompanhado empresários e outras pessoas interessadas em negócios com o governo.
Mensagens indicam orientação para realizar depósitos
Os investigadores também analisaram conversas encontradas no celular de Roberta Luchsinger.
Nas mensagens, a lobista conversou com Ulisses Barbosa, apontado como seu auxiliar pessoal e motorista, sobre a realização dos pagamentos.
Segundo os documentos analisados pela PF, Barbosa demonstrou preocupação com movimentações bancárias de valores elevados. A conversa também menciona a possibilidade de dividir os depósitos entre diferentes contas.
A investigação encontrou ainda referências a aproximadamente R$ 60 mil mantidos em espécie na residência da lobista. Os investigadores agora analisam a origem e a finalidade desses recursos.
Investigação também envolve ex-chefe de gabinete de Lula
As apurações alcançaram ainda Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que ocupou o cargo de chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, Roberta realizou pagamentos relacionados a despesas pessoais de Marcola. A investigação identificou aproximadamente R$ 249 mil em movimentações associadas ao caso.
Marcola afirmou que recebeu os valores como empréstimo pessoal e declarou que quitou posteriormente a dívida.
Por outro lado, os investigadores analisam se os pagamentos tiveram alguma relação com a atuação profissional da lobista ou com interesses de terceiros junto ao governo.
Relação com Lulinha também entrou na investigação
Roberta Luchsinger mantém amizade com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A relação ganhou atenção dos investigadores durante a apuração sobre a atuação da lobista.
A PF encontrou mensagens que, segundo os investigadores, indicariam uma proximidade profissional entre os dois. Em uma das conversas divulgadas pela imprensa, Roberta teria chamado Lulinha de “sócio”.
Além disso, os investigadores analisam negócios envolvendo empresas que contrataram os serviços da lobista.
Um dos casos envolve a empresa 3Structure IT. Segundo informações divulgadas pela imprensa, a companhia pagou R$ 150 mil à empresa de Roberta por serviços de prospecção de clientes e oportunidades de negócios.
Roberta nega irregularidades
Roberta Luchsinger nega irregularidades e afirma que atua regularmente na representação de clientes.
A defesa também questiona a divulgação de informações relacionadas à investigação e afirma que Roberta desconhece algumas das conversas apresentadas nas reportagens.
A defesa de Lulinha, por sua vez, também nega irregularidades e contesta elementos apresentados na investigação.
Até o momento, a Polícia Federal continua analisando documentos, mensagens e movimentações financeiras. Portanto, os pagamentos identificados integram uma investigação em andamento e, por si só, não comprovam a prática de crime.
O caso deve continuar produzindo novos desdobramentos à medida que os investigadores cruzarem as movimentações financeiras com os encontros, contratos e contatos mantidos pela lobista com integrantes do governo e empresários.





