Dormir bem vai muito além de descansar o corpo. Na verdade, o sono é um dos pilares fundamentais da saúde, pois influencia diretamente o funcionamento do organismo, o equilíbrio emocional e a qualidade de vida — especialmente com o avanço da idade.
Nesse contexto, em entrevista à Rádio Câmara 90.3 FM, no programa Bom Dia Cidade, a médica geriatra Camila Feitosa destacou como o sono de qualidade é essencial em todas as fases da vida. Além disso, ela reforçou que esse cuidado se torna ainda mais importante na terceira idade.

Sono: mais importante do que parece
Muitas pessoas acreditam que apenas “dormir bastante” é suficiente. No entanto, a especialista alerta que não é a quantidade, mas sim a qualidade do sono que realmente importa.
De modo geral, um adulto precisa, em média, de 8 horas de sono por noite. Já os idosos dormem entre 5 e 7 horas. Ainda assim, é possível dormir menos horas e acordar bem — desde que o sono seja profundo e reparador.
Por outro lado, dormir muitas horas com interrupções constantes pode resultar em cansaço, irritação e falta de energia ao longo do dia. Ou seja, não basta dormir — é preciso dormir bem.
Os riscos de dormir mal
A falta de um sono de qualidade pode trazer diversas consequências para a saúde. Entre elas, destacam-se:
- Aumento do risco de hipertensão
- Desenvolvimento de doenças crônicas
- Maior chance de demência
- Irritabilidade e alterações de humor
- Sonolência durante o dia
- Confusão mental, principalmente em idosos
Além disso, o sono ruim afeta hábitos importantes, como a alimentação e a prática de atividades físicas. Como resultado, cria-se um ciclo prejudicial que impacta negativamente todo o organismo.
O papel do sono profundo
Durante a fase mais profunda do sono, conhecida como sono REM, o corpo entra em um estado de relaxamento completo. Nesse momento, ocorrem processos essenciais para a saúde.
Por exemplo, há redução da frequência cardíaca, diminuição da pressão arterial e regeneração celular. Além disso, acontece a chamada “limpeza do cérebro”, responsável por eliminar toxinas.
Consequentemente, esse processo contribui para a prevenção de doenças neurológicas. No entanto, com o envelhecimento, o acesso a esse sono profundo se torna mais difícil. Por isso, é fundamental adotar hábitos que favoreçam a qualidade do sono.
Tecnologia e sono: uma relação delicada
Atualmente, o estilo de vida moderno tem contribuído para noites mal dormidas. Principalmente, o uso excessivo de telas — como celulares, computadores e televisores — interfere diretamente no ciclo circadiano.
Isso acontece porque a luz emitida por esses dispositivos reduz a produção de melatonina, o hormônio responsável por induzir o sono. Dessa forma, o descanso adequado fica comprometido.
Como melhorar a qualidade do sono
Felizmente, pequenas mudanças na rotina podem fazer grande diferença. Para isso, algumas recomendações são fundamentais:
- Evitar o uso de telas 1 a 2 horas antes de dormir
- Preferir luzes mais suaves e amareladas à noite
- Manter horários regulares para dormir e acordar
- Evitar refeições pesadas antes de deitar
- Optar por atividades relaxantes no período noturno
Em resumo, essas práticas fazem parte da chamada higiene do sono, considerada o primeiro passo para quem deseja dormir melhor.
Vale destacar que, embora simples, essas mudanças exigem consistência. Ou seja, não basta aplicar por um dia — é preciso manter uma rotina.
Dormir bem é viver melhor
Uma boa noite de sono reflete diretamente no dia seguinte. Assim, pessoas que dormem bem apresentam mais disposição, concentração e equilíbrio emocional.
Portanto, mais do que um hábito, dormir bem é uma necessidade básica do corpo. Em outras palavras, investir na qualidade do sono é investir na própria saúde e bem-estar.





