A Transparência Internacional – Brasil pediu nesta sexta-feira (25) que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se declare impedido de atuar em decisões relacionadas ao caso Banco Master.
Segundo a entidade, a proximidade entre Gonet e Daniel Vorcaro pode levantar dúvidas sobre eventual conflito de interesses.
A organização, porém, fez uma ressalva. Até o momento, não há indícios conhecidos de que Gonet ou familiares tenham recebido recursos de Vorcaro.
Também não há, segundo a entidade, evidências de que o procurador-geral tenha atuado para beneficiar o empresário.
Entidade questiona relação com Daniel Vorcaro
A manifestação ocorre após a divulgação de informações sobre contatos entre Gonet e Vorcaro.
Entre os registros está uma fotografia feita em Londres, em abril de 2024. Na imagem, os dois aparecem juntos durante um evento privado.
A fotografia estava no celular de Vorcaro. A Polícia Federal encontrou o material durante as investigações relacionadas ao Banco Master.
Gonet afirma que teve contato pontual com o empresário. Além disso, nega que os dois mantivessem uma relação de amizade ou interesses pessoais no caso.
Evento patrocinado pelo Banco Master
Outro ponto levantado envolve a participação de Gonet em eventos ligados ao empresário.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, o procurador-geral participou, em outubro de 2024, do II Fórum Internacional Esfera, em Roma.
O Banco Master patrocinou o evento. Outras autoridades brasileiras e estrangeiras também participaram do encontro.
Para a Transparência Internacional, esse tipo de relação merece atenção. A entidade defende regras mais claras para situações que possam gerar dúvidas sobre conflitos de interesses.
Transparência Internacional cobra regras mais rígidas
A organização também criticou a aceitação de viagens e eventos de luxo patrocinados por empresários.
Na avaliação da entidade, o poder público precisa estabelecer critérios objetivos para esse tipo de situação. O objetivo seria evitar conflitos de interesses e preservar a confiança nas instituições.
Além disso, a Transparência Internacional defende regras específicas para o recebimento de benefícios por integrantes do Ministério Público.
A discussão não envolve apenas Paulo Gonet. Ela também alcança a forma como autoridades públicas devem lidar com convites, viagens, hospedagens e outros benefícios oferecidos por agentes privados.
Mensagens também entraram no debate
O caso ganhou novos elementos após a divulgação de mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro e pessoas próximas a ele.
Segundo reportagens, algumas mensagens mencionam contatos com Gonet. O material faz parte de documentos obtidos pela Polícia Federal durante as investigações.
Em um dos episódios divulgados, Vorcaro teria recebido mensagens de Gonet por meio do advogado Ciro Soares.
As mensagens ocorreram em um período de negociações envolvendo o Banco Master. No entanto, a existência dos contatos não comprova, por si só, favorecimento ou irregularidade.
Por isso, a análise precisa considerar o conteúdo completo das mensagens e o contexto de cada contato.
O que está em discussão
O pedido da Transparência Internacional não representa uma conclusão sobre eventual irregularidade cometida por Gonet.
A principal questão é outra: saber se os vínculos revelados publicamente justificam o afastamento do procurador-geral de decisões relacionadas ao caso.
Nesse sentido, o impedimento busca preservar a independência das decisões. Também pode evitar dúvidas sobre a atuação da Procuradoria-Geral da República.
Além disso, regras claras podem ajudar a diferenciar relações institucionais legítimas de situações que apresentem risco de conflito de interesses.
Caso Banco Master envolve diferentes órgãos
As investigações sobre o Banco Master envolvem diferentes instituições públicas.
O banco, comandado por Daniel Vorcaro, passou por forte expansão antes de o Banco Central determinar sua liquidação, em novembro de 2025.
Desde então, as apurações alcançaram diferentes autoridades e órgãos de controle.
Nesse cenário, a Transparência Internacional defende o avanço das investigações. A entidade também cobra mecanismos capazes de garantir transparência e responsabilização.
Debate agora envolve transparência institucional
O pedido para que Gonet se declare impedido coloca a relação entre autoridades públicas e agentes privados no centro do debate.
De um lado, não existem, até o momento, indícios conhecidos de pagamento ou favorecimento citados pela própria Transparência Internacional.
Por outro lado, a entidade entende que determinados contatos e benefícios podem gerar dúvidas sobre a independência de uma autoridade.
Por isso, a discussão envolve tanto os fatos já conhecidos quanto as regras que devem orientar a conduta de integrantes do Ministério Público.
Agora, cabe aos órgãos competentes analisar os elementos apresentados e avaliar as medidas necessárias.
Enquanto as investigações continuam, o caso Banco Master mantém no centro do debate a importância da transparência, da prevenção de conflitos de interesses e da independência das instituições.





