O advogado Willer Tomaz reagiu à reportagem do Jornal Nacional sobre a descoberta de uma sala oculta em um hangar no Aeroporto de Brasília. Em vídeo publicado nas redes sociais nesta quinta-feira (22), ele afirmou que o espaço funciona como uma sala-cofre destinada a atender empresas de transporte de valores. Além disso, questionou o momento em que a notícia ganhou repercussão, a quatro dias do segundo turno das eleições presidenciais.
A Polícia Federal (PF) encontrou o compartimento durante diligências realizadas em agosto. O local fica em um hangar utilizado por empresas de aviação das quais Tomaz é sócio. Segundo informações divulgadas pela imprensa, os agentes encontraram uma máquina de contar cédulas, malas vazias e prateleiras. Nenhuma quantia em dinheiro foi localizada dentro da sala. <escape> </escape>
Em sua manifestação, o advogado negou que a estrutura tenha sido criada para esconder recursos ilícitos. Segundo ele, o espaço atende às necessidades operacionais de transportadoras de valores que contratam serviços de suas empresas de táxi aéreo.
Advogado afirma que sala-cofre atende empresas de transporte de valores
No vídeo, Willer Tomaz explicou que a sala possui porta reforçada e equipamentos de segurança porque recebe operações relacionadas ao transporte de dinheiro e outros objetos de valor.
“Ela existe porque a empresa presta serviço para transportadoras de valores, algumas das maiores do país, com contrato”, declarou.
O advogado também apresentou imagens de documentos que, segundo ele, comprovam a existência de contratos com clientes do setor. Tomaz ocultou os nomes das empresas, alegando razões de segurança.
Para sustentar sua versão, ele destacou que a própria reportagem informou que os policiais não encontraram dinheiro no compartimento.
“E o que a PF encontrou lá dentro da sala? Estantes e uma máquina de contar dinheiro. Nada, nenhum real”, afirmou.
Tomaz argumentou que a existência de uma sala protegida e de equipamentos para contar cédulas é compatível com as atividades de custódia de valores. Na avaliação dele, a presença desses itens, isoladamente, não comprova a prática de um crime.
Willer Tomaz questiona momento da divulgação
Outro ponto central do pronunciamento foi o momento em que a reportagem ganhou destaque nacional. O advogado afirmou que a Polícia Federal esteve no hangar em agosto, mas que o caso chegou ao Jornal Nacional em outubro, a poucos dias da votação do segundo turno.
“Há quatro dias do segundo turno, o nome do Flávio no meio”, disse.
Tomaz também criticou a associação de seu nome ao senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República. Segundo o advogado, a relação de amizade entre os dois não significa que o parlamentar tenha ligação com as atividades de suas empresas de aviação ou com os contratos firmados com transportadoras de valores.
“O Flávio não tem nada a ver com a minha empresa de táxi aéreo, nem com as transportadoras de valores”, declarou.
A reportagem, por sua vez, contextualizou a descoberta da sala ao mencionar a proximidade entre o advogado e o senador e as apurações conduzidas pelas autoridades. A investigação busca esclarecer suspeitas relacionadas a movimentações financeiras e possível lavagem de dinheiro.
Advogado acusa Jornal Nacional de fazer campanha
Ao contestar a abordagem jornalística, Willer Tomaz acusou a emissora de transformar uma estrutura empresarial em motivo de suspeita sem apresentar, segundo ele, provas de irregularidade no uso da sala.
“Isso não é investigação, isso é campanha. Eu respondo com documentos, eles com suposições”, afirmou.
A declaração representa a versão apresentada pelo advogado em sua defesa pública. A Polícia Federal, por outro lado, considera que a estrutura encontrada merece análise no contexto das investigações em andamento.
A ausência de dinheiro no local não encerra, por si só, a apuração sobre a finalidade do compartimento. Da mesma forma, a existência de uma sala-cofre e de uma máquina de contar cédulas não comprova, isoladamente, que o espaço tenha sido utilizado para guardar recursos de origem ilícita.
O que se sabe sobre a investigação
A descoberta ocorreu no contexto da Operação Sem Desconto, que apura suspeitas de fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Durante as diligências, os investigadores identificaram o compartimento oculto atrás de um painel de madeira.
Além da sala, a imprensa noticiou outras medidas investigativas envolvendo empresas e endereços ligados a Tomaz. As apurações incluem suspeitas de movimentações financeiras consideradas relevantes pelos investigadores.
O caso também ganhou repercussão política por causa da amizade entre o advogado e Flávio Bolsonaro. Entretanto, suspeitas investigadas pelas autoridades não equivalem a uma condenação, e a responsabilidade de cada envolvido precisa ser apurada com base nas provas.
Até o momento, Willer Tomaz sustenta que a sala-cofre atende a uma finalidade empresarial legítima e afirma possuir documentos que respaldam sua explicação. A investigação deverá esclarecer a utilização do espaço e a eventual relação dos elementos encontrados com as demais suspeitas apuradas pela Polícia Federal.





