Durante o Jornal das Seis, da Rádio Conquista FM, Vinícius Lima, Daniel Silva e Ebenezer Cascaes repercutiram relatos de profissionais que afirmam estar sem receber desde junho. Em nota, instituição nega atrasos de cinco meses, mas reconhece valores pendentes referentes a julho.
A situação dos pagamentos de médicos que atuam no pronto-socorro do Hospital Geral de Vitória da Conquista, conhecido como Hospital de Base, ganhou novos desdobramentos e provocou um debate sobre transparência, cumprimento de contratos e valorização dos profissionais de saúde.
O assunto foi destaque no Jornal das Seis, da Rádio Conquista FM, apresentado por Vinícius Lima, Daniel Silva e Ebenezer Cascaes. Durante o programa, os comunicadores repercutiram denúncias de médicos plantonistas que afirmam estar sem receber pelos serviços prestados desde junho de 2026.
Segundo um dos profissionais, que teve a identidade preservada, a situação tem provocado dificuldades financeiras entre os médicos. O relato aponta contas atrasadas, endividamento e necessidade de recorrer a empréstimos particulares para garantir o sustento das famílias.
“Os médicos estão todos desesperados, com contas atrasadas, se endividando, pegando empréstimo. Está um horror”, diz um trecho da mensagem apresentada durante a transmissão.
Hospital contesta denúncia, mas reconhece pagamentos pendentes
A repercussão aumentou depois que a Assessoria de Comunicação do Complexo Hospitalar de Vitória da Conquista (CHVC) divulgou uma nota oficial nesta quinta-feira (5).
No documento, a instituição classificou como categoricamente falsa a informação de que existiriam atrasos de cinco meses ou de múltiplos meses nos pagamentos dos médicos contratados por meio de pessoa jurídica (PJ).
O hospital explicou que, conforme as regras do edital de credenciamento e a Lei Federal nº 14.133/2021, o faturamento dos serviços médicos deve ser concluído em até cinco dias úteis após o encerramento do mês trabalhado. Depois da apresentação formal da documentação, o prazo contratual para pagamento pode chegar a 60 dias.
Entretanto, um dos pontos da própria nota chamou a atenção dos apresentadores: a direção reconheceu que ainda existem valores pendentes referentes à competência de julho.
Segundo o comunicado, muitas empresas já receberam os respectivos pagamentos, enquanto o saldo remanescente está em fase final de processamento, com previsão de quitação ao longo da próxima semana.
Sobre os serviços prestados em agosto, o hospital afirmou que os valores ainda estão dentro do prazo contratual.
A instituição também explicou que algumas empresas ainda passam por processos de formalização contratual e, por isso, recebem por meio de processos indenizatórios, que exigem uma tramitação administrativa mais complexa.
Jornalistas questionam posicionamento do hospital
Durante o Jornal das Seis, os apresentadores questionaram a forma como a instituição rebateu as denúncias, especialmente diante do reconhecimento de que ainda existem pagamentos pendentes.
Um dos argumentos levantados no programa é que a negativa de atrasos de cinco meses não elimina a necessidade de esclarecer a situação dos profissionais que afirmam estar sem receber desde junho.
Na avaliação dos comunicadores, a discussão não deve ficar restrita à interpretação burocrática dos prazos contratuais. É necessário esclarecer quais empresas receberam, quais continuam com valores pendentes e, principalmente, quando os médicos que estão trabalhando no pronto-socorro terão seus pagamentos regularizados.
Durante a transmissão, a equipe também apresentou uma mensagem atribuída a um médico da unidade, preservando sua identidade, conforme o direito constitucional ao sigilo da fonte jornalística.
Os apresentadores criticaram ainda o tom adotado pela assessoria de comunicação ao contestar o trabalho da imprensa e defenderam que o debate seja conduzido com transparência e respeito.
Confira a nota oficial do Complexo Hospitalar na íntegra
Em resposta às informações divulgadas, o Complexo Hospitalar de Vitória da Conquista encaminhou uma nota à imprensa, datada de 5 de novembro de 2026. No documento, a instituição apresenta sua versão sobre os pagamentos, explica os prazos contratuais e contesta as denúncias de atrasos prolongados.
Confira o comunicado na íntegra:
NOTA À IMPRENSA
COMPLEXO HOSPITALAR DE VITÓRIA DA CONQUISTA (CHVC) – 05/11/2026
O Complexo Hospitalar de Vitória da Conquista (CHVC) vem a público prestar esclarecimentos diante de recentes veiculações a respeito do pagamento de parte do corpo médico, contratado por pessoa jurídica, desta unidade hospitalar.
De início, o CHVC lamenta que os veículos de comunicação não tenham procurado a Assessoria de Comunicação (ASCOM) da instituição para a devida checagem e apuração dos fatos antes da publicação, o que resultou na difusão de informações inverídicas e descontextualizadas.
A respeito do fluxo financeiro e da relação contratual com os profissionais médicos, esclarecemos:
- Modelo Contratual e Prazos Legais: Os médicos que prestam serviços sob a modalidade de Pessoa Jurídica (PJ). Conforme estabelecido no edital de credenciamento e em estrita observância à Lei Federal nº 14.133/2021, o processo de faturamento é concluído em até 5 dias úteis após o término do mês trabalhado. A partir do envio formal da documentação, vigora o prazo contratual de até 60 dias para a efetivação do pagamento.
- Inveracidade sobre Longos Atrasos: É categoricamente falsa a informação de que haveria atrasos de cinco meses ou de múltiplos meses.
- Situação Atual dos Repasses:
- Competência Julho: Muitas empresas já foram pagas*, estando o saldo remanescente em fase final de processamento para quitação ao longo da próxima semana.
- Competência Agosto: Os valores *não estão vencidos, permanecendo rigorosamente dentro do prazo contratual regular de 60 dias após o faturamento.
- Processos Indenizatórios: Nas situações em que a prestação do serviço ainda ocorre via processo indenizatório (empresas em fase final de formalização contratual), a tramitação exige um rito processual administrativo mais complexo, o que demanda um tempo ligeiramente maior para a liberação.
O CHVC reafirma seu compromisso permanente com a transparência, a legalidade e a valorização da assistência à saúde oferecida à população de Vitória da Conquista e região.
Por fim, a instituição reitera que a sua Assessoria de Comunicação (ASCOM) permanece à inteira disposição da imprensa e da sociedade para prestar informações oficiais, precisas e transparentes.
Denúncia também repercute na Câmara de Vereadores
Outro ponto mencionado durante o programa foi a repercussão política da denúncia na Câmara Municipal de Vitória da Conquista.
De acordo com os apresentadores, o assunto foi levado à tribuna por um vereador, que questionou as informações divulgadas sobre os pagamentos aos plantonistas.
Diante das diferentes versões, a equipe do Jornal das Seis defendeu que as autoridades competentes acompanhem o caso e promovam uma apuração capaz de esclarecer a situação.
A cobrança é para que sejam apresentados dados objetivos sobre os repasses, os contratos e os pagamentos efetivamente realizados aos profissionais.
Transparência e valorização dos profissionais de saúde
O caso levanta uma questão que vai além da divergência entre uma denúncia jornalística e uma nota institucional: a importância de garantir condições dignas aos profissionais responsáveis pelo atendimento de urgência e emergência.
Os médicos plantonistas que atuam no pronto-socorro desempenham uma função essencial para a população de Vitória da Conquista e de diversos municípios da região Sudoeste da Bahia.
A regularidade dos pagamentos e a clareza nas relações contratuais são fundamentais para que esses profissionais possam exercer suas atividades com segurança e tranquilidade.
O espaço permanece aberto para novos esclarecimentos da direção do Complexo Hospitalar, da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) e dos representantes dos profissionais envolvidos.
A pergunta que permanece é: se existem valores pendentes e médicos relatando dificuldades para receber pelos plantões realizados, quando todos os pagamentos serão efetivamente regularizados?





