Em entrevista à Band Conquista, governador da Bahia afirmou que sua equipe trata todos os municípios da mesma forma. Mas a declaração levanta um questionamento importante: Vitória da Conquista recebe a atenção e os investimentos que seu tamanho e sua importância exigem?
Uma declaração do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, durante entrevista concedida à Band Conquista merece uma reflexão sobre as prioridades do Governo do Estado para o terceiro maior município baiano. Ao falar sobre a relação de sua gestão com as cidades do interior, o governador afirmou que o tratamento dado aos municípios é “igualzinho”, citando localidades pequenas e comparando-as a Vitória da Conquista.
No trecho da entrevista, Jerônimo menciona Catolândia, município com aproximadamente 3.434 habitantes, e outras cidades de pequeno porte. Em seguida, afirma que sua equipe trata os municípios da mesma maneira.
“A gente trata igualzinho”, declarou o governador.
A fala pode até ser interpretada como uma defesa do respeito institucional a todas as cidades, independentemente do tamanho ou da população. No entanto, quando se trata de planejamento, investimentos públicos e atendimento às necessidades da população, a afirmação levanta uma questão fundamental: tratar todos os municípios de forma igual significa, necessariamente, fazer justiça às suas necessidades?
Vitória da Conquista precisa de muito mais atenção
Com uma população de centenas de milhares de habitantes, Vitória da Conquista tem uma realidade completamente diferente da de um município com pouco mais de três mil moradores. A cidade é um importante polo regional de saúde, educação, comércio e serviços, atendendo também à população de dezenas de municípios do sudoeste baiano e de outras regiões.
Essa dimensão impõe desafios muito maiores ao poder público. São demandas por infraestrutura urbana, mobilidade, saúde, educação, abastecimento de água, segurança pública e investimentos capazes de acompanhar o crescimento da cidade e sua importância econômica e social.
Por isso, a comparação feita pelo governador preocupa. Respeitar todos os municípios é uma obrigação do Estado. Distribuir investimentos sem considerar as diferenças de população, estrutura, demandas e importância regional, porém, não é necessariamente uma política pública justa.
Uma cidade do porte de Vitória da Conquista precisa de planejamento específico, projetos estruturantes e investimentos proporcionais aos desafios que enfrenta. Não basta assegurar que todos são tratados da mesma forma: é necessário demonstrar, na prática, que cada município recebe os recursos e a atenção de que precisa.
A falta de grandes investimentos entra no debate
A declaração também abre espaço para discutir a presença do Governo da Bahia em Vitória da Conquista. A cidade precisa de investimentos robustos, obras estruturantes e ações estaduais que estejam à altura de sua dimensão e de sua função como referência regional.
Quando uma cidade com tantas responsabilidades não percebe avanços compatíveis com suas necessidades, é legítimo questionar se o planejamento estadual está considerando adequadamente seu peso demográfico e econômico.
A fala de Jerônimo, isoladamente, não comprova que a cidade tenha recebido menos recursos do que deveria. Para estabelecer essa conclusão, seria necessário comparar os investimentos anunciados e executados, os valores destinados por habitante, as obras entregues e as demandas ainda não atendidas. Ainda assim, a declaração reforça um debate pertinente sobre os critérios utilizados pelo governo para definir suas prioridades.
Vitória da Conquista não pode ser tratada apenas como mais um município em uma lista administrativa. Sua população e sua condição de polo regional exigem uma estratégia de investimentos compatível com sua realidade.
Igualdade não significa ignorar as diferenças
O governador afirmou, ainda, que a relação de trabalho com os municípios é diferente das alianças políticas e que sua gestão mantém diálogo até mesmo com prefeitos que não votaram nele. Esse princípio de independência política é importante para a administração pública e deve ser respeitado.
Entretanto, a discussão central vai além das alianças partidárias. O que a população de Vitória da Conquista espera é saber se o Governo do Estado reconhece as necessidades específicas da cidade e se está disposto a enfrentá-las com ações concretas.
Tratar os municípios com respeito é fundamental. Tratar realidades completamente diferentes como se fossem iguais, por outro lado, pode resultar em respostas insuficientes para quem mais precisa de investimentos.
Uma cidade de centenas de milhares de habitantes exige soluções de outra escala, tanto em volume de recursos quanto em planejamento e capacidade de execução.
A pergunta que fica para o Governo da Bahia
A declaração de Jerônimo Rodrigues à Band Conquista deixa uma pergunta que merece resposta: se Vitória da Conquista tem uma população muito superior à de municípios como Catolândia, além de atender às demandas de toda uma região, como o Governo do Estado está traduzindo essa importância em investimentos concretos?
A resposta não deve ficar restrita a discursos sobre tratamento igualitário ou diálogo institucional. Precisa aparecer no orçamento, nas obras, nos serviços públicos e nos resultados percebidos pela população.
Vitória da Conquista precisa de mais do que respeito protocolar. Precisa de atenção diferenciada, planejamento de longo prazo e investimentos capazes de acompanhar seu tamanho e sua importância para a Bahia.
Afinal, governar com justiça não significa oferecer exatamente a mesma resposta a todos, mas garantir que cada município receba aquilo de que realmente necessita. E, para Vitória da Conquista, isso significa cobrar uma presença mais efetiva do Governo do Estado e investimentos compatíveis com os desafios de uma das principais cidades do interior baiano.





