Enquanto estudantes e professores participam de manifestações em Vitória da Conquista com palavras de ordem contra o fascismo e em defesa da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), cerca de 700 trabalhadores terceirizados da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) enfrentam atrasos no pagamento de salários e benefícios. O impasse levou à paralisação de atividades nos campi de Vitória da Conquista, Jequié e Itapetinga.
O número de trabalhadores envolvidos nas pendências foi informado pela própria Reitoria da Uesb, em comunicado publicado na quarta-feira (14). Os profissionais são vinculados às empresas Creta e Java, responsáveis por serviços terceirizados na instituição. Entre as áreas afetadas estão limpeza, manutenção, recepção e vigilância.
A situação levanta uma questão sobre as prioridades do debate público: enquanto parte da comunidade educacional se mobiliza em torno de pautas políticas nacionais, centenas de profissionais que contribuem diariamente para o funcionamento da universidade aguardam a regularização de seus pagamentos.
Ato político e crise trabalhista dividem atenção na educação
O ato realizado em Vitória da Conquista reuniu estudantes e professores em uma manifestação contra o fascismo e em defesa da reeleição de Lula. Entre as palavras de ordem divulgadas pelos organizadores estava a frase “Na Bahia, fascista não se cria”.
A mobilização também teve caráter político-eleitoral, com referências ao dia 25 e à continuidade do atual projeto político na Presidência da República.
Em paralelo, a situação dos terceirizados da Uesb expõe um problema concreto que afeta trabalhadores responsáveis por serviços essenciais. Segundo a Associação dos Docentes da Uesb (Adusb), os profissionais continuavam sem receber os salários referentes a setembro, além de enfrentarem pendências relacionadas ao vale-transporte e a outros benefícios.
A paralisação atinge os três campi e compromete serviços necessários à rotina universitária. Em razão da interrupção das atividades de limpeza e segurança, a Reitoria suspendeu temporariamente as aulas presenciais entre os dias 14 e 19 de outubro.
Uesb prevê pagamento de aproximadamente 700 trabalhadores
Diante da continuidade dos atrasos, a Reitoria anunciou medidas para viabilizar o pagamento direto dos trabalhadores, utilizando recursos vinculados aos contratos das empresas prestadoras de serviços.
De acordo com o comunicado oficial, a universidade acionou o Ministério Público do Trabalho (MPT), notificou as empresas e realizou reuniões com representantes das contratadas e das entidades sindicais.
A instituição informou que trabalha com a perspectiva de quitar os salários referentes a setembro até o final de outubro, desde que sejam concluídos os procedimentos administrativos, financeiros e documentais necessários. Portanto, o anúncio não significa que os pagamentos já tenham sido realizados.
A Uesb também informou que pretende apurar possíveis responsabilidades contratuais das empresas e avaliar medidas administrativas cabíveis diante dos descumprimentos registrados.
Direitos dos trabalhadores também precisam estar no centro do debate
A situação dos terceirizados coloca em evidência uma questão que ultrapassa as disputas partidárias: a garantia de direitos básicos para quem trabalha na manutenção dos serviços públicos.
Os trabalhadores não são servidores efetivos da universidade, mas profissionais contratados por empresas terceirizadas para executar atividades indispensáveis ao funcionamento da instituição. Por isso, é importante distinguir os vínculos empregatícios e identificar as responsabilidades de cada parte.
O caso também exige atenção para que a discussão política não substitua o acompanhamento das providências necessárias à regularização dos salários.
Enquanto as manifestações em Vitória da Conquista destacam a defesa de um projeto político nacional, aproximadamente 700 trabalhadores aguardam uma solução para receber valores que deveriam ter sido pagos no prazo devido.
A expectativa agora é que as medidas anunciadas pela Reitoria avancem e que os profissionais recebam seus salários e benefícios, permitindo a retomada regular dos serviços e das atividades acadêmicas nos três campi da Uesb.





