Uma reportagem da revista VEJA colocou novamente o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, no centro de uma controvérsia política. Segundo a publicação, a defesa do empresário apresentou à Procuradoria-Geral da República (PGR), durante negociações para uma colaboração premiada, a possibilidade de fornecer documentos, mensagens de WhatsApp e registros de saques em dinheiro vivo relacionados a supostos pagamentos de propina a integrantes do PT.
De acordo com a revista, os registros fariam parte dos elementos que Vorcaro pretendia utilizar para sustentar as alegações. A proposta, porém, não avançou. A PGR rejeitou a colaboração e informou que os motivos da decisão foram comunicados aos advogados, mas permanecem sob sigilo.
O caso ganhou repercussão em meio às investigações envolvendo o Banco Master e às discussões sobre possíveis relações entre o ex-banqueiro, agentes públicos e pessoas ligadas ao meio político.
PGR confirma rejeição, mas mantém motivos sob sigilo
Em manifestação divulgada após a repercussão do caso, a PGR esclareceu que as tratativas foram conduzidas por advogados e que Vorcaro não prestou depoimento oral ao órgão, justamente porque a proposta não foi aceita. A instituição também afirmou que os motivos da decisão foram apresentados à defesa, respeitando o sigilo legal do procedimento.
A rejeição da proposta também precisa ser considerada no contexto das tentativas anteriores de colaboração. Em junho de 2026, a Agência Brasil noticiou que a PGR havia rejeitado uma proposta anterior, após a Polícia Federal avaliar que as informações apresentadas não traziam novidades relevantes para as investigações.
Acusações ainda exigem comprovação
As alegações atribuídas a Vorcaro envolvem supostos pagamentos irregulares e possíveis relações com integrantes do PT. Entretanto, a existência de uma proposta de delação e a afirmação de que documentos poderiam ser apresentados não significam, por si só, que os pagamentos tenham sido comprovados ou que as pessoas mencionadas tenham cometido crimes.
A Polícia Federal, por sua vez, negou ter recebido documentos ou informações com o teor específico de um depoimento sobre o suposto financiamento de um documentário sobre Lula. A negativa reforça a importância de distinguir o conteúdo divulgado pela revista das informações oficialmente confirmadas pelas autoridades.
O caso permanece cercado por questionamentos sobre o conteúdo das alegações, os elementos que teriam sido apresentados pela defesa e os motivos que levaram à rejeição da colaboração. Como parte do procedimento está sob sigilo, não há publicidade integral dos documentos mencionados nas reportagens.





