Curitiba está dando passos importantes para modernizar sua infraestrutura urbana: a cidade estuda enterrar a fiação elétrica. O projeto vem sendo estruturado como uma parceria público-privada (PPP), com apoio do BNDES e participação da Copel, e já passou por diversas rodadas de análise técnica e modelagem.
Muito além da estética
À primeira vista, o benefício mais evidente é visual. Menos fios significam uma cidade mais limpa, organizada e agradável. Mas os ganhos vão muito além disso.
A rede subterrânea reduz significativamente as interrupções de energia durante temporais, diminui riscos de choques elétricos e incêndios e praticamente elimina o furto de cabos de cobre — um problema recorrente em muitas cidades brasileiras. Além disso, libera espaço nas calçadas, melhorando a mobilidade urbana e a acessibilidade.
Preparação para o futuro digital
Existe ainda um ponto técnico pouco discutido: a infraestrutura aérea atual tem limitações para suportar tecnologias mais avançadas, como 5G e Internet das Coisas (IoT). Enterrar a rede, portanto, também é uma forma de preparar Curitiba para o futuro digital.
O contraponto: custo e viabilidade
Mas nem tudo é simples — e o próprio IPPUC faz questão de destacar isso.
A ideia de que cidades modernas possuem toda a sua fiação subterrânea é, na prática, um mito. O custo de implantação é alto, e a manutenção também exige investimentos significativos. Mesmo em países desenvolvidos, o enterramento costuma ser estratégico e localizado: em corredores de transporte, áreas históricas ou regiões turísticas. Raramente se aplica à cidade inteira.
Onde começar?
Por isso, a discussão mais relevante não é “se” Curitiba deve enterrar toda a fiação, mas “onde” começar — e quanto isso custa por quilômetro.
Curitiba não está sozinha nesse movimento. Outras cidades brasileiras, como Florianópolis, Salvador e o Distrito Federal, também desenvolvem iniciativas semelhantes, cada uma com suas próprias prioridades e estratégias.
No fim das contas, o desafio é equilibrar modernização, custo e impacto urbano. E isso abre espaço para uma pergunta essencial:
Se dependesse de você, qual região da cidade deveria ser a primeira a receber esse investimento?
Fontes: Prefeitura de Curitiba, Bem Paraná, IPPUC, Gazeta do Povo




