A crise financeira da Casas Bahia ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (17). O Sindicato dos Comerciários de São Paulo anunciou que pretende recorrer à Justiça contra as demissões em massa realizadas pela varejista.
A entidade afirma que a empresa não negociou previamente os cortes com os representantes dos trabalhadores. Por isso, o sindicato quer suspender os desligamentos e abrir uma negociação para discutir alternativas e garantir os direitos dos funcionários.
Inicialmente, as informações apontavam para cerca de 2 mil demissões. No entanto, outros levantamentos divulgados nesta segunda-feira indicam que os cortes podem chegar a aproximadamente 3 mil trabalhadores durante o processo de reestruturação.
Sindicato questiona forma das demissões
Segundo o sindicato, muitos trabalhadores receberam a notícia dos cortes sem uma negociação prévia. A entidade pretende, portanto, apresentar uma ação judicial para tentar interromper o processo e discutir medidas que reduzam os impactos sobre os funcionários.
Além disso, o sindicato quer obter a relação completa dos trabalhadores desligados. A entidade também pretende negociar alternativas para grupos considerados mais vulneráveis, como gestantes.
Entre as propostas estão a realocação de funcionários para outras unidades, a manutenção temporária de benefícios e o pagamento de indenizações adicionais.
Uma reunião entre representantes da empresa e do sindicato está prevista para esta terça-feira (18). O encontro pode abrir espaço para uma negociação antes de novos desdobramentos na Justiça.
Casas Bahia fecha 298 lojas
As demissões fazem parte de um amplo plano de redução de custos da Casas Bahia. A companhia anunciou o fechamento de 298 lojas, principalmente unidades localizadas em shopping centers.
Com menos lojas, a empresa pretende reduzir gastos com aluguel, condomínio e outras despesas operacionais. Ao mesmo tempo, a varejista busca concentrar suas atividades nas operações consideradas mais rentáveis.
O fechamento das unidades, porém, provocou reação entre os sindicatos. O Sindicato dos Empregados no Comércio de Osasco e Região (Secor), por exemplo, também afirmou que pretende adotar medidas para proteger os trabalhadores afetados.
A entidade relata que funcionários ainda aguardam informações sobre verbas rescisórias, FGTS, seguro-desemprego e outros direitos trabalhistas.
Recuperação judicial envolve R$ 17,3 bilhões
A reestruturação acontece em meio a uma grave crise financeira. No domingo (16), o Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo para renegociar aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas.
O processo envolve empresas do grupo e busca preservar as operações enquanto a companhia reorganiza suas finanças. A Casas Bahia atribui parte das dificuldades ao cenário de juros elevados, à restrição de crédito e ao aumento dos custos operacionais.
Além disso, a companhia apresentou um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026. Embora o número impressione, cerca de R$ 9,1 bilhões desse resultado vieram de efeitos contábeis considerados não recorrentes.
Mesmo sem esses efeitos, porém, a situação continua delicada. O prejuízo ajustado chegou a R$ 978 milhões no trimestre, acima dos R$ 555 milhões registrados no mesmo período do ano anterior.
Crise aumenta pressão sobre trabalhadores
A situação financeira da Casas Bahia coloca a empresa diante de um desafio duplo. De um lado, a companhia precisa reduzir despesas e reorganizar suas dívidas. De outro, os sindicatos cobram transparência e negociação nas decisões que afetam milhares de trabalhadores.
Por isso, a disputa judicial anunciada pelo Sindicato dos Comerciários de São Paulo pode acrescentar uma nova frente à recuperação da varejista.
Enquanto a empresa tenta reorganizar suas operações, os trabalhadores demitidos aguardam informações sobre seus direitos e possíveis alternativas. A reunião entre a Casas Bahia e os representantes da categoria, marcada para terça-feira, poderá definir os próximos passos da negociação.
A crise, portanto, ainda está longe de terminar. Além das dívidas bilionárias e do fechamento de centenas de lojas, a Casas Bahia agora precisa lidar com a reação dos sindicatos e com o impacto social provocado pelos cortes de funcionários.





