Senador comunicou a lideranças do Centrão que pretende disputar espaço no comando do Congresso Nacional; PL articula nome próprio para a presidência do Senado.
O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, informou a lideranças do Centrão que não pretende apoiar a recondução de Hugo Motta (Republicanos-PB) à presidência da Câmara dos Deputados nem a permanência de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) no comando do Senado Federal a partir de 2027.
A informação foi divulgada pela CNN Brasil nesta segunda-feira (12). Segundo a reportagem, o posicionamento foi transmitido durante negociações políticas envolvendo dirigentes do União Brasil, do Progressistas (PP) e do Republicanos para a aproximação dessas legendas com a candidatura de Flávio no segundo turno das eleições presidenciais.
A decisão sinaliza que a disputa pelo comando das duas Casas do Congresso Nacional deverá integrar as negociações políticas para a próxima legislatura.
PL quer disputar a presidência do Senado
Entre as prioridades do Partido Liberal está a presidência do Senado. O nome defendido pelo grupo é o do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.
A estratégia na Câmara dos Deputados é diferente. Em vez de apresentar imediatamente um candidato próprio, o PL pretende permitir que os partidos do Centrão discutam alternativas para substituir Hugo Motta, mantendo influência nas negociações por meio de sua bancada parlamentar.
O objetivo é ampliar a participação do partido nas decisões sobre a composição das futuras mesas diretoras, responsáveis pela condução dos trabalhos legislativos e pela organização das pautas de votação.
Desgastes com Motta e Alcolumbre
A resistência à recondução dos atuais presidentes do Congresso ocorre após divergências entre o grupo bolsonarista e os dois parlamentares.
No Senado, Davi Alcolumbre enfrenta críticas de setores da direita por não dar andamento a pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A condução desses requerimentos tornou-se um dos pontos de tensão entre o presidente da Casa e parlamentares ligados ao bolsonarismo.
Na Câmara, Hugo Motta acumulou divergências com o PL por não colocar em votação propostas relacionadas à anistia dos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. O deputado também desagradou ao grupo bolsonarista ao fazer campanha para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Paraíba.
Esses episódios contribuíram para o distanciamento político e passaram a pesar nas articulações sobre o futuro comando do Legislativo.
Centrão terá papel nas negociações
A definição das presidências da Câmara e do Senado depende de negociações entre partidos e parlamentares, além da formação de maiorias em cada Casa. Por isso, a posição de Flávio Bolsonaro pode influenciar as conversas, mas não determina, por si só, quem será eleito para os cargos.
As lideranças do Centrão terão de avaliar nomes, alianças e compromissos políticos para a próxima legislatura. Nesse cenário, o PL busca aproveitar sua força parlamentar para ampliar o protagonismo nas decisões do Congresso.
As articulações devem avançar nos próximos meses, enquanto os partidos negociam espaços e definem suas prioridades para 2027. Até lá, a permanência de Hugo Motta e Davi Alcolumbre nos respectivos cargos dependerá da capacidade de cada um de reunir apoio suficiente entre os parlamentares.





