O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, durante sabatina no Jornal Nacional, da TV Globo, que não sabia que o Bolsa Família permanecia sem reajuste desde o início de seu terceiro mandato. A declaração foi feita na quinta-feira (15), ao comentar o aumento de 15,04% anunciado pelo governo federal em setembro, a poucos dias do primeiro turno das eleições de 2026.
Questionado sobre a decisão, Lula disse que tomou conhecimento da ausência de reajuste após conversar com integrantes de sua equipe ministerial. “Eu não sabia”, declarou o presidente, ao explicar que decidiu corrigir os valores depois de descobrir que o benefício não havia sido atualizado.
Segundo Lula, a situação era inexplicável, já que, na avaliação dele, havia espaço fiscal para conceder a correção. O presidente afirmou que questionou os ministros sobre a falta de aumento e determinou que os valores fossem reajustados.
Bolsa Família passou de R$ 600 para R$ 691
O reajuste de 15,04% foi anunciado em 17 de setembro de 2026. Com a mudança, o benefício mínimo do Bolsa Família passou de R$ 600 para R$ 691. O benefício médio, segundo informações divulgadas na época, subiu de R$ 675 para R$ 777.
O governo justificou a medida como uma recomposição inflacionária, com o objetivo de recuperar o poder de compra das famílias atendidas pelo programa. Os pagamentos com os novos valores começaram em outubro.
De acordo com estimativas apresentadas pelo governo, a atualização terá impacto adicional de aproximadamente R$ 5,8 bilhões nas contas públicas em 2026. Para 2027, o custo estimado chega a cerca de R$ 22 bilhões, podendo exigir ajustes no Orçamento.
Reajuste foi anunciado a poucos dias do primeiro turno
A proximidade entre o anúncio do aumento e as eleições presidenciais provocou questionamentos sobre o momento escolhido pelo governo. O reajuste foi divulgado 17 dias antes do primeiro turno, enquanto os pagamentos atualizados começaram a ser realizados a poucos dias do segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Lula já havia negado que a medida tivesse motivação eleitoral. A justificativa oficial é que o aumento busca recompor a inflação acumulada e preservar o poder de compra dos beneficiários.
A declaração de que desconhecia a falta de reajuste, porém, acrescentou um novo elemento à discussão política. O episódio levanta questionamentos sobre o acompanhamento do programa pela Presidência e sobre como uma decisão com impacto bilionário no orçamento federal foi tomada apenas depois de uma conversa com ministros.
O caso também ocorre em meio à disputa eleitoral de 2026, período em que medidas econômicas e programas sociais ganharam destaque no debate entre governo e oposição.
Com informações do UOL, da CNN Brasil e da Folha de S.Paulo.





