O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a se posicionar contra a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Durante entrevista à TV Globo, na quinta-feira (15), o presidente afirmou que as facções criminosas brasileiras têm como principal objetivo obter lucro, diferentemente de grupos que praticam terrorismo com motivações políticas ou ideológicas.
“Não é o caso das facções e do crime organizado no Brasil, que eles só querem dinheiro”, declarou Lula ao comentar a decisão do governo dos Estados Unidos de enquadrar os dois grupos brasileiros como organizações terroristas. A entrevista foi realizada no contexto da cobertura eleitoral do segundo turno das eleições presidenciais de 2026. G1
Lula diferencia crime organizado e terrorismo
Ao explicar sua posição, o presidente argumentou que o conceito de terrorismo está relacionado a ações contra instituições, ataques a países e tentativas de derrubar governos. Na avaliação de Lula, a busca por ganhos financeiros é o principal fator que diferencia a atuação das facções brasileiras das organizações que praticam atos terroristas com objetivos políticos.
A declaração retoma uma divergência entre o governo brasileiro e a administração norte-americana sobre a maneira de classificar e combater grupos criminosos que atuam em diferentes países.
Estados Unidos classificaram PCC e Comando Vermelho como terroristas
Em junho de 2026, entrou em vigor a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras. A medida foi anunciada pela administração do presidente Donald Trump e provocou reações do governo brasileiro. Agência Brasil
O governo Lula argumenta que o enquadramento pode abrir espaço para medidas com consequências diplomáticas, econômicas e de segurança, além de levantar questionamentos sobre a soberania brasileira.
Em julho, a Agência Brasil noticiou que o Ministério da Justiça e Segurança Pública também contestou a classificação norte-americana. Segundo o secretário nacional de Assuntos Legislativos da pasta, Paulo Eduardo Modesto, a legislação brasileira prevê instrumentos penais específicos para combater organizações criminosas violentas, e o enquadramento como terrorismo poderia produzir consequências jurídicas diferentes das pretendidas pelos Estados Unidos. Agência Brasil
Debate envolve segurança pública e relações internacionais
A divergência não se limita à terminologia. A classificação de uma organização como terrorista pode ter efeitos sobre sanções financeiras, cooperação internacional, investigações e medidas adotadas por autoridades estrangeiras.
No Brasil, a discussão envolve a aplicação da legislação nacional contra o crime organizado e os limites da atuação de outros países em território brasileiro. Já o governo norte-americano defende o enquadramento do PCC e do Comando Vermelho como parte de sua estratégia de combate a ameaças transnacionais.
A declaração de Lula reforça a posição do governo federal de tratar as facções brasileiras prioritariamente como organizações criminosas, sem aceitar automaticamente a classificação adotada pelos Estados Unidos.
O debate continua envolvendo questões de segurança pública, soberania nacional e cooperação internacional no enfrentamento de grupos responsáveis por atividades criminosas dentro e fora do Brasil.





