A empresária e lobista Roberta Luchsinger, apontada como próxima de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, publicou ao longo dos últimos anos fotografias ao lado de ministros e ex-ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), além de integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva.
Os registros ganharam novo destaque em meio às investigações da Polícia Federal que apuram suspeitas envolvendo Luchsinger e Lulinha. As apurações incluem possíveis crimes como tráfico de influência e corrupção e permanecem em andamento.
Entre os integrantes do STF que aparecem nas publicações estão Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso, que deixou a Corte em 2025.

Fotos com ministros do Supremo
Uma das imagens foi publicada por Luchsinger em 27 de novembro de 2023, ao lado de Flávio Dino. Na legenda, ela parabenizou Dino por sua indicação ao Supremo. Posteriormente, Dino passou a relatar uma das investigações que envolvem Luchsinger e Lulinha na Corte.
Também em novembro de 2023, Luchsinger publicou uma fotografia ao lado de Luís Roberto Barroso. Na ocasião, elogiou a atuação do Supremo e decisões tomadas pela Corte.
Já as imagens com Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes foram registradas durante eventos relacionados à posse de Zanin como ministro do STF, em agosto de 2023. As fotografias foram posteriormente compartilhadas por Luchsinger em suas redes sociais.
Os registros passaram a chamar atenção especialmente porque Luchsinger se tornou personagem de investigações da Polícia Federal relacionadas a Fábio Luís Lula da Silva.
Registros também incluem Lula e integrantes do governo
O levantamento das publicações mostra ainda fotografias de Roberta Luchsinger com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a primeira-dama Janja, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Em julho de 2022, Luchsinger publicou uma sequência de imagens em que aparece com Lula e outros políticos. A postagem foi acompanhada da frase: “Quem tem amigos, tem tudo”.
Há ainda outros registros dos dois juntos, inclusive uma publicação de outubro de 2022 em que Luchsinger aparece ao lado de Lula e faz uma homenagem ao então candidato à Presidência. Levantamentos recentes identificaram pelo menos três fotografias e um vídeo em que os dois aparecem juntos.
A Presidência da República afirmou, porém, que fotografias tiradas em eventos públicos não significam necessariamente relação pessoal, profissional ou política. Segundo a explicação divulgada após a repercussão do caso, Lula é frequentemente abordado por pessoas que pedem registros fotográficos em eventos e campanhas.
O que está sendo investigado
Roberta Luchsinger é investigada em apurações que também alcançam Lulinha. Segundo informações divulgadas pela imprensa com base em elementos da Polícia Federal, os investigadores apuram possíveis relações entre os envolvidos e negociações comerciais que buscariam contratos ou negócios junto ao governo federal.
Uma das linhas de investigação envolve propostas relacionadas a produtos à base de cannabis medicinal e testes para dengue. A PF também identificou mensagens e contatos entre Luchsinger e pessoas ligadas ao governo, incluindo Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, que foi chefe de gabinete do presidente Lula.
Em outro ponto da investigação, a Polícia Federal apura a atuação de um operador financeiro que teria realizado saques e pagamentos em dinheiro vivo para Luchsinger. Segundo a Agência Estado, os investigadores também analisam pagamentos e outras movimentações que poderiam indicar eventual lavagem de dinheiro.
A PF chegou ainda a apontar suspeitas de uma possível comunhão de interesses econômicos entre Lulinha, Luchsinger e o empresário Fernando Bittar. As conclusões, contudo, ainda dependem do avanço das investigações e da análise judicial das provas.
Fotos não comprovam irregularidades
Apesar da repercussão das imagens, é importante separar a existência dos registros fotográficos das suspeitas investigadas pela Polícia Federal.
Uma fotografia ao lado de um ministro do STF ou de uma autoridade do governo não constitui, por si só, prova de tráfico de influência, corrupção ou qualquer outro crime. As imagens demonstram que houve encontros ou registros públicos, mas não permitem concluir, isoladamente, que as autoridades retratadas tenham participado das atividades investigadas.
Também não há, nas fotografias mencionadas, evidência de que os ministros do STF tenham praticado irregularidades relacionadas às investigações contra Luchsinger ou Lulinha.
O caso ganhou ainda mais repercussão após o presidente Lula ser questionado sobre Luchsinger em entrevista ao Jornal Nacional. Na ocasião, Lula afirmou não manter relação com a empresária. Posteriormente, a Presidência explicou que a declaração se referia à inexistência de relação pessoal, profissional ou política entre os dois, apesar dos registros fotográficos existentes.
Investigações seguem em andamento
As apurações envolvendo Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva ainda não representam uma conclusão sobre a responsabilidade criminal dos investigados.
A Polícia Federal continua analisando mensagens, documentos, movimentações financeiras e contatos entre os envolvidos. Parte das investigações tramita no STF, com diferentes inquéritos sob relatoria dos ministros André Mendonça e Flávio Dino.
As defesas dos investigados negam irregularidades. Lulinha nega participação nas negociações investigadas, enquanto Luchsinger também afirma que não cometeu ilegalidades. Portanto, até que as investigações sejam concluídas e haja eventual decisão judicial, as acusações devem ser tratadas como suspeitas ainda sob apuração.
Nesse contexto, as fotografias publicadas por Roberta Luchsinger ajudam a documentar a circulação dela em ambientes políticos e institucionais, mas não permitem, sozinhas, estabelecer qualquer relação entre os ministros ou demais autoridades fotografadas e as suspeitas investigadas pela Polícia Federal.





