Um vídeo publicado pelo apresentador e jornalista esportivo Thiago Asmar, conhecido como “Pilhado”, viralizou nas redes sociais ao abordar a relação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as casas de apostas e as torcidas dos grandes clubes brasileiros.
De acordo com os números apresentados nas redes, a publicação ultrapassou 4 milhões de visualizações, 360 mil curtidas e 36 mil comentários, alcançando grande repercussão justamente no momento em que o governo federal anunciou a proibição das chamadas bets.
No vídeo, Asmar afirma que Lula teria “comprado briga” com torcedores do Flamengo ao fazer comentários sobre as apostas e o futebol brasileiro.
“O Lula comprou briga com a torcida do Flamengo”, afirmou Thiago Asmar.
Na sequência, o apresentador cita também torcedores de Corinthians e Palmeiras e diz que o presidente teria feito comentários sobre os clubes durante discursos relacionados às apostas esportivas.
Campanha atribuída à torcida do Flamengo
Um dos pontos destacados por Asmar é uma mensagem que, segundo ele, começou a circular entre torcedores do Flamengo.
No vídeo, o apresentador mostra a frase:
“Ninguém morre nos devendo. Dia 4 de outubro. Lula que se prepare.”
Asmar interpreta a movimentação como uma reação de parte da torcida ao posicionamento do presidente sobre as bets e afirma acreditar que outros torcedores também poderiam se manifestar nas redes sociais.
Lula e a mudança de posição sobre as bets
A discussão ganhou força depois que Lula passou a defender publicamente o fim das apostas esportivas e dos jogos online.
Em 18 de setembro, durante um ato em Guarulhos, Lula afirmou que pretendia acabar com as bets e citou Flamengo, Corinthians, Santos, Grêmio, Internacional e São Paulo ao argumentar que os clubes conquistaram títulos importantes antes da expansão das apostas esportivas.
Em outro discurso, o presidente também fez uma provocação ao Palmeiras ao mencionar os clubes campeões mundiais antes das bets.
A relação entre clubes e casas de apostas já vinha provocando reação. Flamengo e outros clubes defenderam a manutenção de um mercado regulamentado e argumentaram que uma mudança abrupta poderia afetar contratos, investimentos e receitas do futebol.
Proibição foi oficializada pelo governo
A discussão deixou de ser apenas uma possibilidade. Em 25 de setembro, o governo federal anunciou a assinatura de uma Medida Provisória que proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa no Brasil.
A medida alcança tanto as apostas esportivas quanto os jogos online e também envolve autorizações estaduais e distritais.
É justamente nesse contexto que o vídeo de Thiago Asmar ganhou força nas redes.
Asmar questiona decisão às vésperas da eleição
No trecho que viralizou, o apresentador questiona a mudança de postura do governo e afirma que a regulamentação das bets havia sido estabelecida anteriormente.
Asmar também menciona valores arrecadados pelo governo e os pagamentos realizados por empresas para obter autorização para operar no mercado regulado. Ele apresenta esses dados como argumento para questionar a decisão de proibir o setor.
O governo, por sua vez, sustenta que a medida busca combater o endividamento e os problemas relacionados ao vício em apostas. Lula tem afirmado que os impactos sociais das bets justificam uma intervenção mais dura no setor.
Vídeo provoca debate nas redes
A publicação de Thiago Asmar acabou transformando a discussão sobre as bets em um novo ponto de confronto nas redes sociais, especialmente entre torcedores de futebol.
De um lado, o governo argumenta que as apostas podem provocar endividamento e problemas sociais. De outro, clubes e representantes do setor esportivo defendem que o mercado regulamentado permite fiscalização, tributação e controle das empresas autorizadas.
O Flamengo, por exemplo, afirmou em nota que o Brasil passou anos discutindo a regulamentação das apostas e que empresas realizaram investimentos e assumiram compromissos dentro das regras estabelecidas pelo próprio Estado. O clube também defendeu o combate ao mercado ilegal.
Com a decisão do governo e a proximidade das eleições, o tema passou a ocupar espaço ainda maior no debate político e esportivo. E o vídeo de Thiago Asmar se tornou um dos conteúdos que mais repercutiram nessa discussão.





