Ex-banqueiro afirma que busca colaborar com as investigações, mas diz que as negociações para um acordo não avançaram
Daniel Vorcaro afirmou à Polícia Federal que tenta colaborar com as investigações há cerca de nove meses. Segundo o ex-banqueiro, porém, as negociações para uma eventual colaboração premiada não avançaram.
“Eu tenho interesse em expor esse caso, tenho interesse em falar. […] Tem nove meses que eu estou tentando falar, colaborar com as investigações e não tenho conseguido”, declarou Vorcaro durante o depoimento.
A PF ouviu o ex-banqueiro em 28 de agosto, na Papudinha, onde ele está preso. Na ocasião, os investigadores apuraram suspeitas que envolvem servidores do Banco Central e possíveis irregularidades relacionadas ao Banco Master.
Vorcaro nega benefícios de servidor do Banco Central
Durante a oitiva, Vorcaro negou ter pedido ou recebido qualquer benefício de Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central.
Além disso, o ex-banqueiro afirmou que pretende apresentar informações sobre o que considera “perseguições” contra o Banco Master.
As investigações analisam justamente as relações entre Vorcaro e integrantes da área de supervisão do Banco Central. Segundo informações divulgadas pela imprensa, mensagens encontradas no celular do empresário mostram contatos com servidores ligados ao órgão.
Por outro lado, Vorcaro nega irregularidades e sustenta que pode contribuir para esclarecer os fatos.
Investigação apura suspeitas envolvendo servidores do BC
A Polícia Federal também investiga possíveis pagamentos e relações financeiras envolvendo pessoas ligadas ao Banco Master e servidores do Banco Central.
Entre os nomes analisados está o de Belline Santana. Segundo as investigações divulgadas recentemente, o servidor teria cobrado R$ 500 mil do grupo de Vorcaro após encaminhar ao Ministério Público Federal uma denúncia relacionada ao banco.
Vorcaro nega ter praticado corrupção ou oferecido vantagens a servidores públicos. Santana também nega irregularidades.
Além disso, outras apurações analisam contratos milionários e possíveis vínculos financeiros entre pessoas ligadas ao Banco Master e integrantes da estrutura do Banco Central.
Tentativa de delação premiada não avançou
Vorcaro já negociou uma colaboração premiada com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República. No entanto, as partes não chegaram a um acordo.
Agora, o ex-banqueiro voltou a demonstrar interesse em colaborar. Em outro depoimento, desta vez ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, Vorcaro falou sobre as dificuldades que encontrou durante as negociações.
Segundo relatos divulgados pela imprensa, ele atribuiu ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, parte dos obstáculos para avançar com o acordo.
Rodrigues, por sua vez, nega qualquer relação irregular com Vorcaro.
O que pode acontecer daqui para frente?
A disposição de Vorcaro para colaborar coloca a possível delação novamente no centro das investigações sobre o Banco Master.
Entretanto, uma eventual colaboração premiada depende da análise das autoridades. A PF e a PGR precisam avaliar se as informações apresentadas pelo ex-banqueiro são relevantes, novas e capazes de contribuir efetivamente com as investigações.
Além disso, as autoridades precisam verificar as provas que podem confirmar ou afastar as declarações feitas por Vorcaro.
Por enquanto, as acusações apresentadas pelo ex-banqueiro não comprovam, por si só, qualquer irregularidade. Da mesma forma, as investigações ainda precisam esclarecer o papel de cada pessoa envolvida no caso.
Enquanto isso, a Polícia Federal continua analisando documentos, mensagens e movimentações financeiras relacionadas ao Banco Master.
O caso, portanto, permanece em andamento. Vorcaro afirma que quer falar e colaborar com as autoridades. Agora, caberá aos investigadores avaliar o conteúdo dessas informações e decidir se elas podem contribuir para esclarecer as suspeitas envolvendo o banco e agentes públicos.





