O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou que sofreu tortura psicológica, maus-tratos e ameaças veladas durante o período em que esteve preso.
Vorcaro fez o relato em depoimento ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A defesa solicitou a oitiva na semana passada.
Segundo a jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, Vorcaro afirmou que sofreu pressões para não revelar informações sobre a Polícia Federal em uma eventual delação premiada.
Vorcaro relaciona pressão a possível delação
O ex-banqueiro também apresentou sua interpretação sobre as dificuldades para fechar um acordo de colaboração.
Segundo Vorcaro, a Polícia Federal não aceitaria sua proposta porque ele poderia apresentar informações envolvendo integrantes da própria corporação.
Além disso, ele citou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
Vorcaro tenta negociar uma colaboração desde que acabou preso, em março. No entanto, a Polícia Federal já afirmou que não vê interesse técnico na proposta apresentada pelo ex-banqueiro.
Andrei Rodrigues declarou que as informações oferecidas acrescentariam pouco ao material que os investigadores já conhecem.
Depoimento ocorreu no gabinete de Mendonça
A defesa de Vorcaro pediu o depoimento ao ministro André Mendonça. A oitiva ocorreu sem a participação de integrantes da Polícia Federal.
Um juiz auxiliar conduziu o procedimento. O Ministério Público também participou da oitiva.
Mendonça confirmou a realização do depoimento. Segundo o ministro, a medida seguiu um procedimento regular e ocorreu após solicitação da defesa.
A ausência da Polícia Federal ganhou atenção justamente por causa das acusações apresentadas por Vorcaro.
Ex-banqueiro cita diretor-geral da PF
Durante o depoimento, Vorcaro mencionou Andrei Rodrigues ao falar sobre sua tentativa de fechar um acordo de delação.
O ex-banqueiro avalia que a possibilidade de apresentar informações sobre a PF pode explicar a resistência ao acordo.
A Polícia Federal, porém, apresenta outra versão.
Andrei Rodrigues afirmou anteriormente que a corporação não tem interesse técnico na colaboração. Para ele, o conteúdo apresentado por Vorcaro não traz informações novas em quantidade suficiente.
Dessa forma, as duas versões entram em conflito.
De um lado, Vorcaro afirma que sofreu pressões para não citar integrantes da Polícia Federal. De outro, a corporação sustenta que não vê utilidade suficiente nas informações oferecidas.
Alegações ainda serão analisadas
As acusações de tortura psicológica e maus-tratos ainda não representam uma conclusão judicial.
Até o momento, Vorcaro apresentou seu relato durante o depoimento. A defesa também sustenta a existência de pressões e ameaças.
A Polícia Federal, por sua vez, contesta as acusações e mantém sua posição sobre a proposta de colaboração.
Portanto, o caso ainda depende da análise das autoridades responsáveis pela investigação.
O depoimento acrescenta um novo elemento à investigação envolvendo Vorcaro e o Banco Master. Além disso, coloca novamente em evidência a disputa em torno de uma possível delação premiada.
Enquanto isso, as autoridades deverão avaliar as declarações apresentadas pelo ex-banqueiro e as respostas da Polícia Federal.





