Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo (Estadão) nesta sexta-feira (16) apontam que a advogada e influenciadora digital Gabriela Prioli teria participado de uma estratégia de comunicação favorável à instituição financeira, com contrato de 12 meses e conteúdos submetidos à avaliação do banqueiro.
Segundo a reportagem, os vídeos eram apresentados ao público como opiniões pessoais, mas os diálogos indicariam que os roteiros passavam por análise prévia e recebiam sugestões de alterações de Vorcaro. As conversas revelariam os bastidores de uma operação de relações públicas que envolvia cerca de 15 influenciadores de diferentes posições políticas, tanto da esquerda quanto da direita.
Mensagens revelam bastidores da estratégia de comunicação
De acordo com as informações publicadas pelo Estadão, as conversas envolvem integrantes da equipe de comunicação e marketing do Banco Master, incluindo Ana Matos, que ocupou o cargo de superintendente da área entre 2023 e o fim de 2025.
Os diálogos mencionariam a assinatura de um contrato com duração de 12 meses e indicariam que os conteúdos produzidos por Prioli eram encaminhados para avaliação antes da divulgação. As mensagens também apontariam que Vorcaro fazia observações sobre os vídeos e sugeria modificações.
A estratégia, conforme a reportagem, buscava ampliar a repercussão de manifestações favoráveis ao banco em meio às críticas e aos questionamentos envolvendo a instituição financeira.
O caso levanta questões sobre a transparência na comunicação digital, especialmente quando conteúdos que aparentam representar opiniões espontâneas podem estar relacionados a acordos comerciais ou estratégias de publicidade.
Gabriela Prioli nega ter sido contratada pelo banco
Procurada pela imprensa, Gabriela Prioli negou ter sido contratada pelo Banco Master e contestou a versão de que Daniel Vorcaro editava seus conteúdos.
A influenciadora afirmou que o banqueiro “jamais editou” seus vídeos e negou ter mantido contrato com a instituição financeira. A manifestação contrasta com a interpretação das mensagens apresentada pelo Estadão, que aponta a existência de um contrato de 12 meses e de interações sobre os roteiros.
A existência e o conteúdo dos diálogos divulgados devem ser considerados em conjunto com a manifestação da influenciadora e com eventuais documentos que possam esclarecer a relação comercial mencionada na reportagem.
Debate sobre publicidade e independência nas redes sociais
O episódio reacende o debate sobre a identificação de conteúdos patrocinados e a diferença entre publicidade, comunicação institucional e opinião independente.
Quando um influenciador comenta a atuação de uma empresa sem deixar clara a eventual existência de uma relação comercial, o público pode não ter elementos suficientes para avaliar os interesses envolvidos na manifestação.
No caso de Gabriela Prioli, as mensagens divulgadas pelo Estadão colocam em discussão a relação entre a produção de vídeos favoráveis ao Banco Master, as orientações atribuídas a Vorcaro e a negativa pública da influenciadora de que tenha sido contratada pela instituição.
O esclarecimento definitivo sobre os termos de uma eventual contratação depende da análise dos documentos e das mensagens mencionados na reportagem, além das manifestações dos envolvidos.





