Um vídeo que circula nas redes sociais mostra a retirada de adesivos do Partido dos Trabalhadores (PT) de ônibus do transporte público de Salvador neste domingo (25), dia do segundo turno das eleições presidenciais de 2026. As imagens ganharam repercussão em meio à polêmica sobre a retenção de coletivos nas garagens e à decisão do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) que determinou a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza.
O episódio provocou um confronto de versões entre a Prefeitura de Salvador e representantes ligados ao PT. A discussão envolve a presença de material de propaganda política nos veículos e os impactos da situação na circulação dos ônibus durante o dia de votação.
Adesivos provocaram impasse na saída dos ônibus
A Prefeitura de Salvador atribuiu parte dos problemas na operação do transporte público à colocação de adesivos do PT nos coletivos. Segundo o prefeito Bruno Reis (União Brasil), sindicalistas teriam adesivado os veículos nas primeiras horas da manhã, o que levou empresas a impedir a saída de ônibus para evitar possíveis questionamentos relacionados à propaganda eleitoral.
Em entrevista ao Bahia Notícias, Pablo Souza afirmou que a retirada dos adesivos seguiu a legislação eleitoral. O secretário declarou que os rodoviários colocaram o material nos veículos e que a prefeitura providenciou a retirada. Segundo ele, após a determinação da Justiça Eleitoral, os ônibus foram liberados para circular.
A legislação eleitoral estabelece restrições à propaganda em bens e serviços públicos. A análise sobre eventual irregularidade depende, entre outros fatores, das circunstâncias em que o material foi colocado e da natureza dos veículos envolvidos.
TRE-BA determina prisão de secretário
A controvérsia chegou à Justiça Eleitoral após a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, denunciar uma redução superior a 50% na frota de ônibus em circulação na capital baiana.
O presidente do TRE-BA, desembargador Maurício Kertzman Szporer, determinou a prisão em flagrante de Pablo Souza e ordenou o restabelecimento imediato de 100% da frota, com frequência e itinerários equivalentes aos dos dias úteis. A decisão também determinou a manutenção da gratuidade das passagens durante o período estabelecido pela Justiça.
O tribunal fixou multa de R$ 1 milhão por hora de descumprimento da ordem para o município e as empresas responsáveis pelo transporte coletivo.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, a decisão levou em consideração registros de ônibus parados nas garagens e relatos colhidos durante diligências. O magistrado também determinou medidas para fiscalizar o cumprimento da ordem judicial.
Secretário está em Paris, segundo a prefeitura
A Prefeitura de Salvador informou que Pablo Souza está em Paris, na França, em missão oficial a convite do governo francês. Conforme comunicado divulgado pela administração municipal, o secretário deverá retornar nesta segunda-feira (26) e se apresentar às autoridades para prestar esclarecimentos.
A ordem judicial determina a prisão em flagrante, mas as informações disponíveis até a publicação desta reportagem não confirmavam que a medida já havia sido executada.
Prefeitura anuncia normalização do transporte
Em comunicado, a Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) informou que a operação do transporte público foi normalizada neste domingo. A pasta afirmou ter determinado a liberação da frota máxima, inclusive dos ônibus que apresentavam adesivos de candidatos, e atribuiu a solução do impasse ao diálogo com representantes sindicais.
O caso transformou a operação dos ônibus em um dos principais focos de tensão política e jurídica do segundo turno na capital baiana. A discussão reúne questionamentos sobre propaganda eleitoral, responsabilidade pela disponibilidade do transporte público e cumprimento das determinações da Justiça Eleitoral.
O episódio também levanta um debate sobre os efeitos de disputas político-partidárias na prestação de serviços essenciais à população, especialmente em um dia no qual milhares de eleitores dependem do transporte coletivo para chegar aos locais de votação.





